A diplomata neozelandeza Sarah Wynn-Williams, ex-diretora de Políticas Públicas Globais do Facebook, atual Meta, afirmou hoje ter testemunhado a colaboração de executivos da companhia e do próprio dono e CEO, Mark Zuckerberg, com o governo da China.
Ela foi ouvida hoje em audiência pública pelo subcomitê de crime e contra-terrorismo do Senado dos EUA, em Washington.
De acordo com a diplomata, a Meta ajudou a desenvolver ferramentas de censura que foram usadas contra críticos do governo do país asiático, além de fornecer dados sobre usuários da plataforma de todo o mundo para os chineses.
Durante o testemunho, a ex-diretora da Meta também acusou a empresa de ter secretamente ajudado o governo chinês a desenvolver modelos de inteligência artificial (IA) para fins comerciais e militares.
Williams afirma que a Meta chegou a fornecer o código da própria IA, a Llama, para o partido comunista da China.
Quando perguntada sobre a presença da Meta no mercado chinês, a diplomata acusou Mark Zuckerberg e outros executivos da companhia de terem mentido, e afirmou que a empresa atua no país há pelo menos uma década, mesmo com o banimento das redes sociais da empresa no país.
— Durante anos, eu vi diretores da Meta traindo valores americanos, eles fizeram isso para criar uma relação com Pequim e criar um império de 18 bilhões de dólares na China — diz Williams. — Os executivos da empresa mentiram para funcionários, sócios, congressistas e para o povo dos Estados Unidos.
Ao longo do depoimento, a ex-diretora da Meta também denunciou a criação de uma ferramenta de ‘controle viral’, que, segundo ela, daria ao governo chinês a chance de derrubar publicações que atraiam atenção. Ela afirma que a ferramenta é usada em perfis de Hong Kong e Taiwan, além de também afetar quem utilizar as redes sociais da Meta em território chinês.
No início de março, Sarah Wynn-Williams lançou o livro “Careless people: A cautionary tale of power, greed, and lost idealism” (“Pessoas descuidadas: Um conto de alerta sobre poder, ganância e idealismo perdido”, em tradução livre). A publicação denuncia casos de assédio sexual e outros comportamentos inapropriados de executivos seniores da Meta durante sua passagem pela empresa.
Após o lançamento, a Meta entrou com um processo judicial para banir o livro. De acordo com a empresa, a veiculação da obra quebraria uma clausula de não difamação que ela assinou quando foi demitida, em 2017.
O processo não impede que a Flatiron Books, editora da publicação, continue a distribuir a obra, que atualmente ocupa o segundo lugar na lista de livros de não-ficção mais ventidos do The New York Times.
Em comunicado divulgado pela imprensa dos EUA, a Meta afirmou que o depoimento de Sarah Wynn-Williams é “dissociado da realidade e repleto de alegações falsas”. A empresa ressaltou que não opera na China atualmente, embora o próprio dono da empresa, Mark Zuckerberg, tenha publicamente demonstrado interesse entrar no mercado chinês.
Com informações de O Globo





