A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, disse em entrevista ao jornal britânico Financial Times que o Brasil deve considerar a criação de um teto para a exploração e produção de petróleo. A proposta contraria os planos do próprio governo, que pretende transformar o país em um dos maiores produtores da commodity até 2029.
O Ministério de Minas e Energia estabeleceu a meta de aumentar a produção de 3 milhões de barris por dia, registrada no ano passado, para 5,4 milhões até o final da década, o que tornaria o Brasil o quarto maior produtor mundial, segundo o FT.
— Um problema que terá que ser enfrentado é a questão dos limites, um teto para a exploração de petróleo. É um debate que não é fácil, mas que os países produtores de petróleo terão que enfrentar — disse Marina.
Essa é mais uma frente de embate que a ministra vive no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Ainda que o presidente defenda o protagonismo do Brasil na transição mundial para uma economia verde, ele segue apoiando a expansão da exploração de petróleo.
Obstáculos no MME e na Petrobras
Durante a COP28, a conferência do clima em Dubai, o governo anunciou que havia recebido um convite para integrar a Opep, que reúne os maiores exportadores de petróleo, e que pretendia aceitá-lo. Lula insistiu que o papel do Brasil seria apenas de observador no grupo, mas o anúncio foi alvo de crítica de ambientalistas.
— O Brasil é um produtor de petróleo. É um debate que teremos de ter, mesmo no contexto de guerras. Estamos comprometidos com a meta de triplicar a energia renovável. Mas isso não poderá ser feito se não discutirmos a questão dos limites de exploração — disse Marina.
Ela também enfrenta obstáculos no Ministério de Energia e na Petrobras, que querem explorar novos campos de petróleo no mar para aumentar a produção.
Em 2023, as pastas de Minas e Energia e Meio Ambiente protagonizaram um embate público depois que o Ibama negou uma licença ambiental para que a Petrobras explorasse um bloco de petróleo na foz do Rio Amazonas, na chamada Margem Equatorial.
A região tem grande sensibilidade socioambiental por abrigar unidades de conservação, ter vasta biodiversidade marinha e estar próxima a terras indígenas.
Silveira não vê contradição
Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia do Brasil, disse ao Financial Times que não via “qualquer contradição” entre os investimentos brasileiros em petróleo e as metas de transição energética, porque as receitas do petróleo ajudariam a financiar a transição.
Ainda assim, o foco de Brasília na produção de combustíveis fósseis tem provocado ceticismo internacional, especialmente porque Lula insiste para que nações ocidentais ricas assumam um ônus financeiro maior em proteger a Amazônia e o meio ambiente, porque teriam sido as principais responsáveis pelo aquecimento global.
Para Marina, não se pode abandonar a transição energética:
— Segurança energética é necessária, mas temos que pensar na transição. As duas coisas precisam acontecer.
Com informações do GLOBO.





