Maria da Penha Virtual bate recorde de pedidos de proteção no Rio em 2026

Plataforma do Tribunal de Justiça do Rio já recebeu 3,2 mil solicitações de medidas protetivas em pouco mais de seis meses

O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) registrou 3,2 mil pedidos de medidas protetivas por meio da plataforma Maria da Penha Virtual entre janeiro e 15 de julho de 2026. Em pouco mais de seis meses, o número já se aproxima de todo o volume contabilizado ao longo de 2025, quando foram registrados 3,6 mil pedidos de proteção para mulheres vítimas de violência doméstica.

Os dados são do Observatório Judicial da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher e apontam um crescimento contínuo na procura pela ferramenta digital, criada para facilitar o acesso das vítimas à Justiça.

Mulheres entre 21 e 40 anos são maioria

Segundo o levantamento, mulheres com idade entre 21 e 40 anos representam 56,5% dos pedidos registrados neste ano.

O estudo também traça o perfil dos agressores identificados nas ocorrências. Em 38,1% dos casos, eles foram classificados como violentos. Outros 35,7% apresentavam comportamento controlador, enquanto 26,3% foram enquadrados como pessoas com ciúme excessivo.

Número pode superar 2025 em quase 50%

Com uma média de aproximadamente 459 solicitações por mês, a expectativa do Tribunal de Justiça é que, mantido o ritmo atual, 2026 termine com um volume de pedidos quase 50% superior ao registrado no ano passado.

A série histórica demonstra o crescimento da plataforma desde sua criação. Foram contabilizados 1.579 pedidos em 2022, 3.113 em 2023, 3.497 em 2024, 3,6 mil em 2025 e, até a metade de julho deste ano, já são 3,2 mil solicitações.

Como funciona o Maria da Penha Virtual

Criado em 2020 por estudantes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o Maria da Penha Virtual funciona totalmente pela internet, sem necessidade de baixar aplicativo, o que contribui para preservar a segurança e a privacidade da vítima.

Na plataforma, a mulher preenche um formulário com informações pessoais, dados do agressor e detalhes da violência sofrida. Também é possível anexar fotos, áudios e outros documentos como provas.

Após o preenchimento, o sistema gera automaticamente uma petição em formato PDF, encaminhada diretamente ao juizado competente para análise do pedido de medida protetiva.

Estado conta com atendimento presencial e digital

Além do Maria da Penha Virtual, o Rio de Janeiro possui atualmente 15 Delegacias de Atendimento à Mulher (Deams) distribuídas pelo estado.

As vítimas também podem registrar ocorrências pela Deam Digital, serviço disponível pela internet, ampliando o acesso à rede de proteção nos 92 municípios fluminenses.

Segundo o TJRJ, a combinação entre os serviços presenciais e digitais busca facilitar o acesso das mulheres à Justiça e acelerar a adoção de medidas de proteção em casos de violência doméstica.

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