O cais do Valongo, por onde mais de um milhão de escravos chegaram ao Brasil, foi reinaugurado nesta quinta (23), após passar por obras de valorização que custaram R$ 2 milhões. As intervenções incluíram a instalação de nova sinalização educativa seguindo padrão internacional; além de painéis que contam a história do local aos visitantes; e um novo guarda-corpo que protege o sítio arqueológico, considerado patrimônio mundial pela Unesco desde 2017.
Ao som do Afoxé Filhos de Gandhi, foi realizada a lavagem simbólica do Cais do Valongo, no Centro, na manhã desta quinta, para marcar a entrega das obras. O ritual contou com cânticos e o toque característico de atabaques e agogôs. Entre os séculos XVIII e XIX, o cais se tornou o local o principal porto dedicado ao tráfico de escravos nas Américas.
— Esse é um lugar especial que precisa ser cuidado, valorizado. É um lugar de memória triste, sim, mas foi por aqui que chegaram pessoas que contribuíram e muito para a formação do que hoje é o Brasil. Chegaram o conhecimento ancestral africano, a medicina por meio das ervas, a nossa cultura. Isso precisa ser valorizado — disse o professor e babalorixá Ivanir dos Santos..
Durante a cerimônia, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, anunciou a liberação de 10 milhões para um consórcio formado por entidades ligadas ao movimento negro. O objetivo é a gestão de projetos voltados para a região da Pequena África, região na zona portuária do Rio onde fica o Cais do Valongo.
O prefeito Eduardo Paes lembrou, em seu discurso, a dificuldade para realizar as obras e a manutenção do Cais do Valongo e agradeceu ao presidente Lula pela parceria.
— Isso aqui exigiu muita mobilização e parceria com o governo federal. É um lugar que enche precisamos de bombas 24h para garantir a manutenção que esse lugar histórico e simbólico merece — disse o prefeito.
Com informações de O Globo





