*Paulo Baía.
O mundo político é caracterizado por imagens públicas, quase “estigmas psicossociais”. Na vida política e eleitoral o principal capital não é o financeiro apenas, é a “imagem pública”, que leva em conta as histórias de vida, as trajetórias profissionais, as decisões e as ações pessoais, administrativas, religiosas, éticas e morais.
Marcelo Freixo construiu, com sua trajetória pessoal e política ao longo de décadas – foram três décadas e meia, desde o final dos anos 1990 de século 20 como estudante e professor.
Décadas construindo uma imagem política sólida, coerente, ética e comprometida com as pautas sociais, de direitos fundamentais e antiviolências.
Digo mesmo que, admirador e interlocutor de Marcelo Freixo no debate público, foi estigmatizado pelo que tinha de melhor.
Marcelo Freixo sempre foi um homem público de diálogo e colaboração com a sociedade civil e poderes constitucionais.
Assim, mudar uma imagem pública e política “estigmatizada” exige planejamento e profissionalismo comunicacional e de marketing.
Marcelo Freixo foi, na mudança de seu perfil político eleitoral, apressado e amador. Não se muda uma imagem política com retórica e jogadas de sorte.
“Jogadas de sorte” talvez seja uma expressão forte demais. Houve um planejamento, que não foi bem feito, mas houve uma transição de atitudes e discursos para bem melhor e mais adequados para que mudanças estruturais na sociedade brasileira venham a acontecer de fato e não só nas “narrativas políticas e historiográficas”.
A mudança de uma imagem política não se constrói de seis meses a um ano. A fixação de uma nova imagem junto a população como um processo de desenvolvimento e crescimento social, psicológico, político e administrativo exige a elaboração de um processo mais demorado, necessariamente lento.
Marcelo Freixo poderia ter conversado com Cesar Maia, que fez isso muito bem ao se realocar do PDT/Brizolista para o campo conservador, do centro, da centro-direita. Foi uma ação planejada minuciosamente, com tempo, pensada em cada palavra proferida de 1987 para a frente.
Outros atores políticos também foram bem-sucedidos em seus processos de mudança de imagem pública, como Ulysses Guimarães, Teotônio Vilela, Miro Teixeira, Delfim Neto, José Sarney e Paulo Brossard, exemplos de sucesso.
Marcelo Freixo deveria ter tomado a decisão de deslocar-se do PSOL para o Partido Socialista Brasileiro no dia 02 de fevereiro de 2019, ao tomar posse na nova legislatura, começando já em 2019 a se colocar no campo do socialismo democrático, do centro político, da centro-esquerda política, dos moderados, campo político que estava destruído com a derrota para Jair Bolsonaro, a extrema direita, a direita radical e os fundamentalistas cristãos.
Deveria ir de pronto para o Partido Socialista Brasileiro – PSB, no campo da centro-esquerda democrática, fazendo um conjunto de alianças com a centro direita, o centro (não o centrão), a centro esquerda e as organizações da sociedade civil.
Se Freixo fizesse isso em fevereiro de 2019, no início de 2020 já teria uma candidatura com muita potência política.
Marcelo Freixo está aprendendo, e bem, pois é uma figura política doce, bem intencionado, operante e diligente.
Não se muda da noite para o dia um perfil político. Foi o que aconteceu com Marcelo Freixo, mudou da noite para o dia seu perfil político, mas mudar o perfil político exige a construção de novas redes de sociabilidade, novas redes de apoio.
Marcelo Freixo não teve tempo para isso, as novas redes de sociabilidade, as novas redes de apoio não tinham solidez, nem confiança de apostar tudo em Marcelo Freixo, o que facilitou muito a vida do governador Cláudio Castro como novo governante do RJ – após as catástrofes de Sérgio Cabral a Wilson Witzel – com uma imagem de conciliador, conservador moderado, amplo, com alteridade política e social.
Cláudio Castro definiu como missão e imagem pública ser o epicentro do reequilíbrio emocional, psicossocial, econômico e financeiro de um estado traumatizado como estava o Rio de Janeiro de 2017 até 2020.
A imagem pública de Cláudio Castro é a do gestor público favorável, efetivamente, à recuperação do Estado do Rio de Janeiro, tanto pelo ponto de vista econômico/ financeiro, quanto pelo ponto de vista de estancar as sangrias éticos/morais que aconteciam nos governos do estado até 2020, mesmo que isso não seja exatamente uma realidade, mas os resultado éticos, morais, econômicos, financeiros e de gestão foram considerados bons para a maioria da população fluminense e carioca.
Cláudio Castro construiu a imagem pública de bom gestor e homem bondoso, foi beneficiado com sua moderação e disposição ao diálogo com a ALERJ comandada por André Ceciliano, com os presidentes do Tribunal de Justiça/RJ, com o MP/RJ e com os 92 prefeitos, trazendo o restabelecimento de um aparente e público equilíbrio e tranquilidade no estado do Rio de Janeiro. Isso consolidou uma imagem pública que só o faz crescer, agora, na reta final da campanha eleitoral.
A campanha de Marcelo Freixo ficou todo o tempo sob a desconfiança do PSOL, PT, PSB, PDT e outros, mesmo com Lula o pegando pelo braço e o carregando no colo, dizendo que Marcelo Freixo era o seu candidato.
Lula demorou 20 anos para ter uma nova imagem pública, em campanhas eleitorais ele participou como radical nas campanhas de 1989, 1994 e 1998. Somente na campanha de 2002 conseguiu construir uma nova imagem pública que lhe assegurou a vitória com novas redes de sociabilidade com confiança e fiéis a ele.
Que Marcelo Freixo, ao terminar a eleição de 2022, dê continuidade à consolidação de seu perfil público e político. Freixo ficará sem mandato, mas é um ativista social da melhor cepa, um ativista importante que se consolidou nas lutas, de maneira franca, direta e delicada. Que sua nova rede de sociabilidade se consolide, que sua nova rede de apoios se amplie, que constitua um bloco/grupo político no PSB, um grupo político que tenha trânsito da centro-direita a centro-esquerda. Assim poderemos ter Marcelo Freixo candidato ao Governo do Estado em 2026. Não aconselho Marcelo Freixo a ser candidato a prefeito do Rio daqui a dois anos, em 2024, pois a eleição carioca de 2024 já tem um protagonista. Não é uma carta marcada, mas um favoritismo prévio de Eduardo Paes. talvez Marcelo Freixo possa ser candidato a vereador, para manter seu nome ativo na memória social e política como parlamentar, como vereador da cidade do Rio de Janeiro. Isso será bom para ele, consolidando a sua nova imagem política, e será bom para o PSB que fará uma boa bancada de vereadores em 2024.
Enfim, Marcelo Freixo pode estabelecer uma aliança direta com o eleitor que consolide seu novo perfil público e político.
Marcelo Freixo é sem dúvida um homem público importante para o estado do Rio de Janeiro, para a cidade do Rio de Janeiro e para o Brasil.
Desejo-lhe sucesso, saúde, sorte, pois coragem e garra eu sei que tem.
*Sociólogo, cientista político, técnico em estatística e professor da UFRJ.





