Mais da metade dos brasileiros se informa pelas redes sociais, revela pesquisa no Festival 3i

Falta de transparência das plataformas digitais é um dos temas discutidos na terceira edição do evento

No Brasil, mais da metade da população (52%) já utiliza as redes sociais como principal meio para se informar, ultrapassando a televisão, segundo pesquisa do Aláfia Lab apresentada no Festival 3i 2025, que começou nesta sexta-feira (6). O evento vai se estender até o domingo (8), e acontece na ESPM Rio, na Glória, Zona Sul do Rio.

De acordo com o levantamento, indicadores revelam recortes específicos sobre a forma como os conteúdos são consumidos na internet: mulheres e pessoas mais jovens se informam sobretudo pelo Instagram (69%), enquanto os homens, também mais jovens, priorizam o YouTube. 

Entre os grupos políticos, o uso das redes também é expressivo: 78,3% da população de extrema-direita consome informação principalmente por plataformas sociais, contra 57,1% da população de esquerda.

Tributação das big techs e Marco Civil 

A pesquisadora Ester Borges, do InternetLab, falou à Agenda do Poder sobre o atual estado do debate acerca da regulação das grandes plataformas digitais, que, segundo ela, ainda é restrito:

“Muitas vezes está sendo discutida apenas a moderação de conteúdo, e outros aspectos dessa regulação não são analisados. A tributação das plataformas é um tipo de regulação possível, e a gente precisa avaliar se há fôlego político para isso. Mas está na mesa.”

Ester Borges, coordenadora de pesquisa na InternetLab

O Brasil já foi referência mundial na formulação de políticas digitais, com a criação do Marco Civil da Internet e de instâncias como o Comitê Gestor da Internet (CGI.br). Nesta semana, inclusive, o Supremo Tribunal Federal (STF) discutiu as regras do Marco Civil sobre as responsabilidades das plataformas.

Segundo Ester, é preciso cautela com a forma como o STF tem interpretado pontos sensíveis da legislação, como o Artigo 19, que isenta as plataformas de responsabilidade por conteúdo de terceiros:

“Um ataque ao Artigo 19 não é a solução para o que estamos vivendo. A gente precisa atualizar o que temos, mas entender que nem tudo pode ser judicializado sem risco à liberdade de expressão”, alerta.

O evento atraiu estudantes e profissionais do jornalismo, com mesas de debate, palestras sobre dados e tendências, além de oficinas com temas variados. A jornalista Lara Barsi, 26, aproveitou o festival para saber mais sobre inteligência artificial, tema que tem chamado sua atenção:

“Eu gostei muito de todos os assuntos que eles estão abordando, principalmente sobre Inteligência Artificial, porque é o tema que está mais quente agora. Mas também eu quero aprender sobre os novos formatos, como adaptar o jornalismo para as redes sociais, porque acho que hoje é essencial. A gente não tem mais jornalismo sem as redes sociais”, avaliou.

Caethilen Mieza, de 24 anos, veio de São Paulo para acompanhar a premiação do festival com um trabalho da Agência Mural sobre os impactos das ondas de calor nas escolas públicas da periferia.

A paulistana é uma das concorrentes do Prêmio de Jornalismo Digital Socioambiental, que nesta edição homenageia o jornalista britânico Dom Phillips e o indigenista brasileiro Bruno Pereira. A entrega do prêmio acontece no segundo dia do evento, neste sábado (7).

“É muito importante a gente ter esse espaço de troca, principalmente para quem está começando. Faz mais ou menos dois, três anos que eu sou formada, e acho essencial ter esse espaço de diálogo. Tanto para aprender quanto para conhecer outros veículos e realidades”, contou, empolgada. 

O Festival 3i

O 3i é o primeiro evento do Brasil, e um dos principais da América Latina, focado em questões essenciais para quem quer empreender, inovar e liderar iniciativas digitais de jornalismo. Ele é organizado pela Associação de Jornalismo Digital (Ajor), que representa mais de 150 organizações de mídia no país, com presença nas cinco regiões brasileiras.

Palestras, mesas e oficinas compõem a programação deste ano do Festival 3i

A entidade também acompanha de perto os debates sobre a regulamentação das big techs, considerando seus impactos na circulação de conteúdo e no financiamento do jornalismo, que vive o fenômeno da ‘’plataformização’’ – circulação de notícias em redes sociais de grandes plataformas, como o Instagram e Facebook, ambas pertencentes à Meta. 

“A gente debate muito a regulação das plataformas pensando no impacto sobre as nossas audiências, sobre a população, mas também sobre o ecossistema jornalístico que, por muito tempo, teve outros formatos, outros mecanismos de distribuição e modelos de negócio. Hoje, tanto a distribuição quanto a receita estão muito vinculadas a essas plataformas”, explica Carla Egydio, diretora de relações institucionais da Ajor.

O Festival 3i 2025 vai acontecer nos dias: 6, 7 e 8 de junho na ESPM Rio, localizada na Vila Aymoré – Ladeira da Glória. 

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