Mais da metade da população adulta das capitais brasileiras e do Distrito Federal está inadimplente, segundo levantamento elaborado pela Folha de S. Paulo a partir de dados do Mapa da Inadimplência da Serasa e do Censo Demográfico de 2022 do IBGE. O cenário revela um quadro de pressão financeira disseminada nas principais cidades do país, com destaque para o avanço das dívidas em estados do Norte e do Centro-Oeste.
O levantamento mostra que Manaus apresenta o índice mais elevado entre as capitais brasileiras: 84% da população acima de 18 anos possui contas em atraso. Logo atrás aparece Macapá, onde 73,9% dos adultos estão inadimplentes.
Na outra ponta do ranking está Florianópolis, única capital brasileira abaixo da marca de 50%, com índice de 43,8%.
Os dados foram obtidos pela Folha a partir do cruzamento entre o número de inadimplentes registrados pela Serasa em março deste ano e a população adulta contabilizada pelo IBGE no Censo de 2022.
Norte e Centro-Oeste concentram os piores índices
Quando a análise considera os estados, o Amapá aparece com o maior percentual proporcional de inadimplência do país. Segundo os dados da Serasa, 65,1% da população adulta do estado possui dívidas em atraso.
Em seguida aparecem o Distrito Federal, com 62,77%, o Amazonas, com 60,10%, e Mato Grosso do Sul, onde 59,55% da população adulta está inadimplente.
O levantamento indica concentração mais intensa da inadimplência nas regiões Norte e Centro-Oeste, áreas que vêm enfrentando dificuldades econômicas, aumento do custo de vida e comprometimento crescente da renda familiar.
Os números também colocam Rio de Janeiro e São Paulo acima da média nacional.
No estado do Rio, 59,33% da população adulta possui dívidas atrasadas. Em São Paulo, o percentual chega a 55,56%.
Nas capitais, os índices são ainda mais elevados. A cidade de São Paulo registra 62,3% da população adulta inadimplente, enquanto o Rio de Janeiro aparece logo atrás, com 61,4%.
Já os menores percentuais estão concentrados no Sul e em parte do Nordeste.
Santa Catarina possui a menor taxa proporcional do país, com 40,46% da população adulta inadimplente. Também aparecem entre os estados menos afetados o Piauí, com 41,20%, e o Espírito Santo, com 42,93%.
Nova edição do Desenrola impulsiona buscas
Diante do avanço da inadimplência, o governo federal lançou na semana passada uma nova edição do programa Desenrola Brasil, voltado à renegociação de dívidas bancárias com descontos que podem chegar a 90%.
Além da tentativa de reduzir o endividamento das famílias, a iniciativa também é vista como uma aposta do governo Lula (PT) para melhorar indicadores econômicos e ampliar a aprovação popular.
Segundo dados do Google Trends, o interesse pelo programa atingiu pico máximo no dia do lançamento, em 4 de maio. As buscas permaneceram elevadas ao longo da semana.
Os estados com maior volume de pesquisas relacionadas ao Desenrola foram Piauí, Acre, Ceará, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul.
Entre os municípios brasileiros com maior procura pelo programa aparece Cidade Ocidental, em Goiás, onde quase metade da população adulta — 49,6% — está inadimplente.
Também figuram entre os municípios com mais buscas as capitais Teresina e Rio Branco, que registram índices de inadimplência de 45,6% e 43,9%, respectivamente.
Cartão de crédito lidera dívidas em atraso
Os dados reforçam um cenário já identificado por outras pesquisas sobre o endividamento das famílias brasileiras.
Segundo levantamento Datafolha realizado em abril, 67% dos brasileiros afirmam possuir algum tipo de dívida financeira. Entre eles, 21% disseram estar com pagamentos atrasados.
O cartão de crédito parcelado aparece como principal modalidade de inadimplência, citado por 29% dos entrevistados que possuem dívidas.
Na sequência aparecem empréstimos bancários, mencionados por 26%, e carnês de lojas, citados por 25%.
Especialistas apontam que o alto comprometimento da renda, os juros elevados e o aumento do custo de vida continuam sendo fatores centrais para o crescimento da inadimplência no país.
Além disso, o avanço das dívidas também preocupa setores do comércio e do sistema financeiro, que acompanham os efeitos do endividamento sobre o consumo, a concessão de crédito e a atividade econômica.






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