O secretário de Polícia Civil do Rio, Felipe Curi, classificou a operação desta quinta contra o Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como “a maior investigação da história da Polícia Civil” em relação à lavagem de capitais oriundos do tráfico. Segundo ele, o trabalho revela o grau de sofisticação das organizações criminosas, que atuavam com o apoio de fintechs ilegais, intermediadoras de pagamento sem autorização do Banco Central e até mesmo um banco digital clandestino criado exclusivamente para ocultar os lucros ilícitos, informa O Globo.
O esquema, que movimentou cerca de R$ 6 bilhões em apenas um ano, envolvia 22 empresas e atendia diretamente às duas maiores facções criminosas do país: o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC).
“Essa é a vocação da polícia judiciária, esse é o futuro”, destacou o secretário de Segurança Pública, Victor Santos. “Uma investigação que colhe bastante provas de toda a movimentação e poderio financeiro dessas organizações criminosas. É com esse dinheiro que se compra armas, se corrompe e se espalha o terror em comunidades”, completou.
A operação teve como alvos diversos endereços no Rio de Janeiro e em São Paulo. Ao todo, 46 mandados de busca e apreensão foram expedidos. Em Franca (SP), um foragido da Justiça foi preso. No Rio, os mandados foram cumpridos nas zonas Oeste, Norte e Sul da capital, além de municípios do interior. Locais estratégicos como os complexos da Maré e do Fallet-Fogueteiro também foram alvos da ação. Já em São Paulo, os mandados se concentraram na capital, Região Metropolitana e nas cidades de Santos, Praia Grande e Franca.
Valores eram usados para aquisição de armas e drogas
A investigação revelou que os valores movimentados pelo esquema eram utilizados principalmente para aquisição de armas e drogas, além de financiar disputas territoriais entre facções em comunidades da Zona Oeste do Rio. A ofensiva desta quinta-feira é parte da estratégia da Operação Contenção, que visa impedir o avanço do Comando Vermelho sobre novas áreas e enfraquecer sua estrutura financeira, logística e operacional.
Coordenada pela Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), a ação contou com o apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE), do Departamento-Geral de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (DGCOR-LD), além da Polícia Civil paulista.
As autoridades acreditam que o impacto da operação será significativo na capacidade de financiamento do crime organizado. “É um duro golpe no coração financeiro dessas facções. Sem dinheiro, o crime perde força e capacidade de expansão”, finalizou Curi.





