A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (28), uma operação para cumprir 21 mandados de prisão contra suspeitos de integrarem uma organização criminosa especializada no comércio ilegal de cigarros. A investigação começou há cerca de dois anos, quando os agentes descobriram três fábricas clandestinas em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Em uma delas, estourada em março de 2023, a polícia resgatou 19 trabalhadores paraguaios que eram mantidos em situação análoga à escravidão. Aos agentes, eles contaram que foram trazidos do Paraguai com os olhos vendados, com a promessa de que iriam trabalhar na produção de roupas.
Na época, a PF informou que o local onde eles foram encontrados não tinha nenhuma condição de higiene. Os trabalhadores dividiam espaço com animais, esgoto a céu aberto e com os próprios resíduos oriundos da produção dos cigarros.
Eles também eram submetidos a uma jornada excessiva de trabalho: 12 horas por dia, sete dias por semana, em dois turnos, inclusive durante a madrugada, sem direito a descanso semanal. Além de não receberem nenhuma remuneração pelos serviços prestados, tinham a locomoção restrita e ainda eram forçados a trabalhar sem equipamentos de proteção.
De acordo com a PF, os estrangeiros sequer tinham conhecimento da localidade em que se encontravam. Eles também relataram que mantinham contato com apenas uma pessoa, responsável por levar os mantimentos, sempre armada e usando uma máscara que ocultava seu rosto.
Outras fábricas encontradas no RJ
Em julho do ano passado, a Polícia Militar resgatou seis paraguaios em condições análogas à escravidão em uma fábrica de cigarros clandestina em Paty do Alferes, na região sul do Rio de Janeiro. Eles estavam alojados no local e trabalhavam em jornada excessiva, sem descanso. No local, os agentes encontraram mais de um milhão de maços de cigarros falsificados. A polícia estima que a ação tenha causado um prejuízo de R$ 50 milhões aos envolvidos no esquema.
Em depoimento, os homens resgatados disseram que receberam uma proposta para trabalhar em São Paulo. Quando chegaram ao local, um homem retirou os celulares deles e os forçou a entrar em uma van. No veículo, eles foram vendados, encapuzados e levados para a fábrica. A produção clandestina era feita em um galpão numa fazenda na Estrada do Arrozal, no bairro Guaribu, no distrito de Avelar. No local, havia duas máquinas de cigarros em funcionamento.
Em 2022, a polícia descobriu uma fábrica em Campos Elíseos, bairro de Duque de Caxias, e resgatou quatro trabalhadores de condições análogas à escravidão. No galpão, os investigadores encontraram mais de 500 caixas de cigarros que eram produzidos diariamente de forma ilegal.
Operação desta quinta-feira
Um dos alvos da ação é Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, apontado como integrante da máfia de cigarros e herdeiro da contravenção em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, que também expande seus domínios para outras regiões na cidade do Rio.
Segundo a investigação, o grupo falsificava e comercializava cigarros produzidos com o emprego de trabalho análogo à escravidão e tráfico de cidadãos paraguaios. Além dos mandados judiciais, também foram emitidas ordens de bloqueio, sequestro e apreensão de bens, avaliados em cerca de R$ 350 milhões — na lista há veículos de luxo, criptomoedas, dinheiro em espécie, assim como valores depositados em contas bancárias. Na casa de um dos alvos, foram apreendidos R$ 48 mil em espécie.
Com informações de O GLOBO.
Leia mais:





