A Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de Campo Grande investiga uma mãe e o filho dela por instigarem um cachorro da raça pitbull a atacar a filha durante uma discussão familiar em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio. O caso ocorreu nesta segunda-feira (7).
O crime foi registrado e compartilhado por amigos da vítima nas redes sociais. Nas imagens, a jovem identificada como Letícia Lemos, aparece sendo atacada pelo animal, que a morde repetidas vezes, enquanto o irmão observa a cena. Durante o ataque, o familiar chega a proferir frases como: “É para te morder! morde a cara dela!”.
Ainda nas filmagens, é possível ver o momento em que o cachorro avança contra Letícia, que tenta se proteger enquanto grita. A agressão ainda continuou em outro cômodo e, durante a violência, a vítima teve a blusa rasgada e ficou despida. Veja abaixo:
A mulher sofreu múltiplos ferimentos nas coxas, no rosto e nas costas. Ela recebeu atendimento em uma UPA da região e procurou a Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de Campo Grande, onde registrou boletim de ocorrência.
Em publicações nas redes sociais, a vítima compartilhou fotos em que aparece em recuperação, com marcas das mordidas. À Agenda do Poder, a jovem afirmou apenas que está “raciocinando tudo ainda”.

Versão da mãe
Em depoimento prestado à polícia na tarde desta terça-feira (7), a mãe da vítima negou ter incentivado o ataque. Segundo ela, a filha, de 23 anos, teria chegado em casa alterada e provocado uma confusão após abrir o portão da residência, o que permitiu que o cachorro saísse para atacar um homem que teria ido cobrar um aparelho celular supostamente furtado.
“Eu estava dormindo por volta de cinco e pouca da tarde. O meu filho me chamou dizendo que o portão estava aberto e tinha um moço querendo falar comigo. A Letícia abriu o portão pro cachorro ir em cima do moço”, afirmou.
Ela disse ainda que o homem teria acusado a filha de furtar um celular e que orientou que ele procurasse uma delegacia. Posteriormente, a discussão teria continuado dentro da casa. Em depoimento, a mulher afirmou que Letícia estava agressiva e retornou ao imóvel proferindo ameaças contra ela e o irmão.
Ainda conforme a mãe, o cachorro se aproximou durante o conflito, mas não atacou. “O cachorro ficava em cima dela, mas não estava mordendo. Ele não é agressivo”, disse.
De acordo com o relato, a filha teria agredido o animal com uma enxada antes de cair. “Ela alterada, o cachorro estava mexendo com ela e ela ficou irritada, começou a gritar com o cachorro. Depois pegou a enxada e bateu nele. Nisso, ela se desequilibrou, caiu no chão e ele ficou por cima dela”, declarou.
Foi nesse momento que a mulher teria gravado as imagens do ocorrido. “Só que tudo foi muito rápido. E, para minha infelicidade, eu comecei a gravar a parte em que ela já estava no chão. Ela estava no chão e, antes, bateu com a enxada no cachorro. O irmão dela tentou falar para ela não bater no cachorro e ela queria ir para cima dele”, contou.
Ainda segundo a mãe, as lesões apresentadas pela jovem não teriam sido causadas por mordidas. “As marcas que ela está no corpo são de uma surra anterior que eu dei nela”, afirmou.
A mulher disse ainda que o cachorro não é agressivo e que foi posteriormente recolhido pela Secretaria de Defesa e Proteção aos Animais para doação.
Cão resgatado
De acordo com a secretaria Municipal de Proteção e Defesa dos Animais, as denúncias do caso foram recebidas pelas redes sociais.
“Os vizinhos e a própria mãe relataram que a moça é usuária de drogas. A mãe contou que ela invadiu a sua casa e teria batido no animal, que está com um edema na face. Mas nada justifica incitar o cachorro a morder a própria filha. Aparentemente o bicho é manso”, disse o vereador Luiz Ramos Filho, da Comissão de Defesa dos Animais da Câmara Municipal do Rio.
O animal foi resgatado e encaminhado para a Fazenda Modelo, em Guaratiba, na Zona Oeste.
O que diz a Polícia Civil?
Em nota, a Polícia Civil informou que o caso é investigado pela Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de Campo Grande e a vítima foi encaminhada para exame de corpo de delito.
Disse ainda que foram requeridas medidas protetivas de urgência e diligências estão em andamento para esclarecer os fatos.
*Estagiária sob supervisão de Thiago Antunes






Deixe um comentário