O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) visita nesta sexta-feira (24) a fábrica da Avibras, em Jacareí, no interior de São Paulo, marcando a primeira passagem de um chefe do Executivo pela empresa desde a retomada de suas atividades, ocorrida em maio deste ano. A agenda simboliza o apoio do governo federal à recuperação de uma das principais fabricantes de equipamentos de defesa do país, após um longo período de crise financeira e paralisação.
A visita ocorre em um momento de crescente tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos, logo após o governo dos EUA anunciar uma nova tarifa adicional de 12,5% sobre parte das exportações brasileiras. Em resposta, o governo Lula afirmou que pretende utilizar a Lei da Reciprocidade Econômica como instrumento para reagir às medidas adotadas por Washington.
Lula desembarcou no Aeroporto de São José dos Campos por volta das 9h40 e seguiu para a unidade da Avibras. Segundo a programação oficial, o presidente visita as instalações da empresa às 10h e, às 11h30, participa de um evento para marcar oficialmente o reinício das operações industriais.
Esta é a segunda viagem do presidente ao Vale do Paraíba apenas neste mês. No último dia 13, ele esteve em São José dos Campos para participar do lançamento de uma turbina movida a etanol.
Empresa é estratégica para a indústria nacional de defesa
Fundada há mais de seis décadas, a Avibras é considerada uma das principais empresas da Base Industrial de Defesa brasileira. A companhia desenvolve sistemas militares e espaciais, incluindo mísseis, foguetes, lançadores de foguetes de saturação, veículos espaciais e equipamentos utilizados pelas Forças Armadas brasileiras.
Além do mercado nacional, a fabricante também fornece produtos para clientes no exterior, desempenhando papel relevante na indústria de defesa e na exportação de tecnologia militar desenvolvida no Brasil.
A retomada das atividades da empresa é vista pelo governo como estratégica para preservar a capacidade tecnológica nacional e manter empregos altamente especializados no setor.
Crise financeira levou empresa à recuperação judicial
A visita presidencial acontece poucos meses após a Avibras conseguir retomar suas operações, interrompidas em razão da grave crise financeira enfrentada pela empresa desde 2022.
Naquele ano, a fabricante anunciou cerca de 420 demissões, posteriormente revertidas, e ingressou com pedido de recuperação judicial diante do agravamento de sua situação econômica.
Pouco tempo depois, a falta de pagamento dos salários levou os trabalhadores a iniciarem uma greve que se estenderia por aproximadamente 1.280 dias — uma das mais longas registradas no país.
Durante o período de paralisação, a empresa acumulou uma dívida trabalhista estimada em R$ 230 milhões com cerca de 1,4 mil empregados.
A crise colocou em risco tanto a continuidade das atividades da companhia quanto centenas de postos de trabalho ligados à indústria de defesa.
Acordo encerrou paralisação histórica
A retomada da produção só foi possível após a assinatura, em março deste ano, de um acordo entre a Avibras e o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região.
O compromisso, aprovado pelos trabalhadores em assembleia, estabeleceu um plano para o pagamento dos débitos trabalhistas acumulados durante o período de paralisação.
Com a implementação do acordo, a empresa retomou oficialmente suas operações em maio, encerrando um impasse que se arrastava havia mais de três anos.
A visita de Lula reforça a importância atribuída pelo governo federal à recuperação da empresa e ao fortalecimento da indústria nacional de defesa, setor considerado estratégico tanto para a soberania do país quanto para o desenvolvimento tecnológico e industrial brasileiro.
Visita ocorre em cenário de pressão internacional
A agenda presidencial também acontece em meio ao aumento das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos.
Nos últimos dias, o governo dos EUA anunciou uma nova sobretaxa de 12,5% sobre determinados produtos brasileiros, ampliando a pressão sobre diversos setores da economia nacional.
Diante desse cenário, integrantes do governo brasileiro têm reforçado a necessidade de fortalecer a indústria nacional, ampliar a competitividade das empresas brasileiras e preservar segmentos estratégicos, entre eles o complexo industrial de defesa, considerado fundamental para reduzir a dependência tecnológica externa e ampliar a presença do Brasil em mercados internacionais.






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