Lula lembra 700 mil mortos na pandemia e tira Flávio Bolsonaro do sério em debate

No segundo bloco, presidente e senador trocaram provocações, discutiram a pandemia, o SUS, a escala 6×1 e as propostas para endividados, em um debate marcado por interrupções e ataques pessoais

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O primeiro debate entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), realizado neste domingo (18), pela Band, foi marcado por provocações, acusações e momentos de tensão. No confronto entre os candidatos que disputam o segundo turno, temas como a pandemia de Covid-19, o futuro do Sistema Único de Saúde (SUS), o fim da escala 6×1 e o endividamento dos brasileiros deram lugar a uma sucessão de embates diretos.

Um dos momentos mais fortes ocorreu quando Lula voltou a criticar a condução da pandemia durante o governo de Jair Bolsonaro. O presidente lembrou as cerca de 700 mil mortes provocadas pela Covid-19 no Brasil e questionou a promessa de Flávio de oferecer um SUS com padrão de atendimento semelhante ao do Hospital Israelita Albert Einstein.

A proposta do senador abriu espaço para Lula explorar um dos pontos mais sensíveis do legado político de seu pai. Durante o debate, Flávio admitiu que a gestão de Jair Bolsonaro não teve bom desempenho na área da saúde. Ao mesmo tempo, afirmou que o ex-presidente fez o melhor que podia diante de uma situação nova e tentou destacar a vacinação como um resultado positivo de seu governo.

SUS e pandemia viram armas no confronto

A discussão sobre saúde ganhou força quando Flávio apresentou sua proposta de elevar o padrão de atendimento do SUS. Lula rebateu associando o projeto à possibilidade de privatização e ressaltou a importância do sistema público durante a pandemia e na vacinação da população.

O presidente também criticou a postura de Jair Bolsonaro durante a crise sanitária, enquanto Flávio buscou defender o legado do pai e se afastar das críticas à condução da emergência de saúde pública.

Endividados, escala 6×1 e segurança pública

Outro tema de destaque foi o endividamento das famílias. Flávio apresentou medidas de renegociação de dívidas, incluindo períodos de carência para pessoas físicas e empresas. A proposta foi apontada durante a cobertura do debate como semelhante à iniciativa de Lula de fazer o governo atuar na compra de dívidas de brasileiros endividados.

A escala 6×1 também provocou tensão. Depois de demonstrar hesitação sobre o tema no primeiro bloco, Flávio voltou ao assunto e afirmou ter ouvido a população durante suas viagens pelo país.

Na segurança pública, Lula defendeu a saída temporária de presos nos casos permitidos pela legislação, ressalvando situações envolvendo crimes graves. Flávio explorou o tema para questionar a posição do adversário, em uma estratégia que colocou a segurança entre os momentos mais delicados para o presidente.

Gestos e provocações aumentam a tensão

O clima esquentou também fora das respostas formais. Flávio fez gestos e caretas enquanto Lula falava, provocando reclamações do presidente e da equipe petista. A mediadora Adriana Araújo chegou a interromper o cronômetro e pediu que o senador não se manifestasse durante a resposta do adversário.

Lula também criticou o comportamento do rival e, em um dos momentos de maior tensão, o chamou de “malandro carioca”.

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