Lula já definiu novos diretores do BC e nomes serão enviados para aprovação no Senado até início da próxima semana

Ministro da Casa Civil também disparou contra Campos Neto, dizendo que governo está em contagem regressiva para ter BC ‘dirigido por quem mora no Brasil e não mora em Miami’

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já definiu os novos diretores do Banco Central e os nomes deverão ser enviados ao Senado Federal até o início da próxima semana, conforme anunciado nesta quinta-feira (28) pelo ministro Rui Costa, da Casa Civil. Ele afirmou que, embora não tenha revelado os nomes, o processo está em fase final de formalização.

A expectativa é de que o presidente Lula aproveite uma cerimônia simbólica para marcar a nomeação de Gabriel Galípolo como futuro presidente do Banco Central no início da próxima semana, ocasião em que também poderá divulgar os demais indicados.

Os escolhidos precisarão passar por sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado e votação no plenário, etapas previstas para serem concluídas até 11 de dezembro. Essa aprovação é necessária para que os novos diretores possam assumir seus cargos a partir de 2025.

Gabriel Galípolo, já aprovado pelo Senado em outubro, sucederá a Roberto Campos Neto como presidente do Banco Central, assumindo oficialmente em 1 de janeiro de 2025. Será a primeira mudança de comando do BC desde a implementação da sua autonomia em 2021.

A jornalistas, o ministro Rui Costa também disparou contra Campos Neto, dizendo que o governo está em contagem regressiva para ter o BC “dirigido por quem mora no Brasil e não mora em Miami”. Desde 21 de novembro, o atual chefe da autoridade monetária está nos Estados Unidos, conforme agenda pública divulgada pela instituição.

Com Galípolo assumindo a presidência do BC, o governo busca um substituto para comandar a diretoria de Política Monetária. Lula também precisará indicar os sucessores dos diretores Carolina de Assis Barros (Relacionamento, Cidadania e Supervisão de Conduta) e Otavio Damaso (Regulação) – cujos mandatos terminam em 31 de dezembro.

Tradicionalmente, as diretorias de Regulação e Relacionamento são chefiadas por servidores da autarquia, o que não acontece com a diretoria de Política Monetária, que lidera a mesa de câmbio e em geral é comandada por um profissional do mercado.

Nos últimos dias, circularam no mercado financeiro os nomes de Juliana Pereira, hoje na Controladoria-Geral da União (CGU), de Richard Back, da Secretaria de Relações Institucionais, e de Emmanuel Sousa de Abreu, que atua na Secretaria de Reformas Econômicas do Ministério da Fazenda.

Para a área de Regulação, um dos candidatos citados há mais tempo na “bolsa de apostas” é Gilneu Vivan, atual chefe do departamento de Regulação do Sistema Financeiro do BC.

Para a diretoria de Relacionamento, o nome de Juliana Mozachi (chefe do Departamento de Supervisão de Conduta) já esteve entre os cotados. Isabela Damaso (chefe da gerência de Sustentabilidade) e Izabela Correa, servidora do BC cedida para a CGU, também já foram mencionadas.

Segundo relatos de membros do governo, não está descartada uma “dança das cadeiras” no momento da nomeação dos novos diretores do BC, com a movimentação de Rodrigo Teixeira – hoje na diretoria de Administração – para outro posto.

A cúpula do BC pode se tornar 100% masculina em 2025 se Lula não indicar ao menos uma mulher para as vagas abertas na instituição.

Com informações da Folha de S. Paulo.

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