Lula é o favorito, mas Jair Bolsonaro está no jogo para vencer

* Paulo Baía Pesquisa do Instituto Quaest divulgada no dia 14 de setembro demostra que a disputa eleitoral para presidente da república continua estável. A foto continua semelhante, o filme está se desenrolando com pequenas mudanças, mas mudanças que favorecem Lula e Jair Bolsonaro a um só tempo. Nessa pesquisa espontânea Lula é citado por…

* Paulo Baía

Pesquisa do Instituto Quaest divulgada no dia 14 de setembro demostra que a disputa eleitoral para presidente da república continua estável. A foto continua semelhante, o filme está se desenrolando com pequenas mudanças, mas mudanças que favorecem Lula e Jair Bolsonaro a um só tempo.

Nessa pesquisa espontânea Lula é citado por 33% e Jair Bolsonaro por 29%, mostrando que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está estacionado, com uma leve tendência de queda. No dia 07/09 tinha 34%.

Jair Bolsonaro tinha 29% das citações no dia 07/09 e agora no dia 14/09 tem os mesmos 29%.

Na pesquisa estimulada do dia 07/09 Lula tinha 44% das citações de votos, agora tem 42%.

Jair Bolsonaro tinha 34% no dia 07/09 e agora no dia 14/09 continua com os mesmos 34%.

Ou seja, mesmo estando em segundo lugar na série histórica do instituto Quaest, Jair Bolsonaro tem uma perspectiva que não é tão ruim quanto parece.

Essa pespectiva não ruim de Jair Bolsonaro é percebida quando analisamos os segmentos de classe e regiões geopolíticas.

Lula da Silva está bem entre os pobres, que possuem rendimento até dois salários mínimos, Jair Bolsonaro não está de todo mal nas demais faixas de renda de toda a população, desde as faixas de renda superiores a dois salários mínimos até os milionários, mesmo Lula liderando por pouco.

Lula da Silva é bem avaliado pela população que tem ensino médio e superior, sendo o mais preferido por que tem apenas o ensino fundamental e básico, Jair Bolsonaro está em segundo lugar estável.

O sinal de alerta, com luzes amarelas e vermelhas piscantes, que deve levar muita preocupação ao comando da campanha de Lula da Silva, é que Jair Bolsonaro está melhor citado na região Sudeste do país. Jair Bolsonaro está melhor posicionado com 38% das citações e Lula com 36% na mais populosa região do país que é o sudeste, que concentra 42,6% dos eleitores, como indica o TSE.

Na região Sul, Jair Bolsonaro está bem melhor que Lula, e no Sul está 14,42% do eleitorado.

Já na região Nordeste Lula da Silva é citado por 59% das intenções de votos. O Nordeste é a região em que Jair Bolsonaro está em pior situação, com 19%, e Lula da Silva consolidado pela maioria absoluta da população nordestina. No nordeste temos, como nos informa o TSE, 27,11% dos eleitores brasileiros.

No conjunto da população brasileira, incluindo todas as regiões, o eleitorado brasileiro dá sua preferência maior para Lula da Silva, índice que se explica pelas densidades demográficas de nossas cinco regiões geopolíticas, em que as regiões Sudeste e Nordeste lideram em número de eleitores, com 69,75% do total de votantes, garantindo uma diferença de 8% de Lula da Silva em relação a Jair Bolsonaro, e assegurando dessa forma a maior probabilidade de Lula da Silva chegar em primeiro lugar no dia 02 de Outubro e de Jair Bolsonaro chegar em segundo lugar, em uma disputa palmo a palmo, de centímetro em centímetro, na região Sudeste (São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo) até as 17 horas, horário de Brasília, do dia 2 de outubro.

Lula vem buscando sensibilizar cristãos evangélicos de todas as vertentes, evangélicos tradicionais protestantes, pentecostais e neopentecostais.

Lula precisa melhorar, melhorar muito sua posição junto aos cristãos católicos. Geraldo Alckmin pode ajudar bastante. Não é uma missão tão fácil como parece ser para os analistas políticos, jornalistas e simpatizantes de Lula da Silva. Na política e em eleições, a maioria dos católicos é semelhante à maioria dos evangélicos, o que normalmente não é citado nos artigos e comentários que se concentram sempre nos evangélicos como protagonistas do conservadorismo no Brasil.

Com Jair Bolsonaro preferido da maioria dos cristãos e dos não cristãos, um avanço de Lula no universo de todas das religiões, de 3% a 4%, já é uma imensa conquista visando o dia 30 de outubro, quando a questão religiosa vai ganhar mais visibilidade e debates públicos.

Algumas tarefas os comandos das campanhas de Lula da Silva e Jair Bolsonaro têm que fazer imediatamente. Essas tarefas se concentram na Região Sudeste, nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro.

A região Sudeste vai definir o resultado do dia 02 de outubro e balizar a disputa para o dia 30 de outubro.

Embora Jair Bolsonaro tenha a preferência da maioria da população da região Sul, Lula e Bolsonaro são equipotentes nas regiões Centro Oeste e Norte, com uma diferença pró Lula relativamente pequena quando comparada com a Região Nordeste, que faz a balança pesar a favor de Lula da Silva na contagem geral.

Lula da Silva e Jair Bolsonaro precisam com urgência, nessa reta final para o dia 02 de outubro, melhorar bastante na região Sudeste.

Os dois têm que seduzir de 3% a 5% dos eleitores da região Sudeste. isso fará a efetiva diferença pró Lula ou pró Bolsonaro já para o segundo turno.

A pesquisa da Quaest também bate o martelo sobre a existência de eleição no dia 30 de outubro. Teremos um segundo turno entre Lula da Silva e Jair Bolsonaro.

Pelo retrato do dia 14/09 da Quaest, podemos afirmar com certeza: não haverá vencedor no primeiro turno, a eleição irá para o dia 30 de outubro, como efeito direto da resiliência eleitoral dos votantes em Ciro Gomes/PDT, em Simone Tebet/MDB e do conjunto dos demais candidatos, que juntos, somados a Soraya Thronicke/ União Brasil e Felipe D’Ávila/Novo possuem 13% dos votos válidos que asseguram a existência de um segundo turno, com Lula da Silva em primeiro lugar e Jair Bolsonaro em segundo lugar no dia 02/10.

Ciro Gomes, Simone Tebet e as demais candidaturas farão o dia 30 de outubro acontecer como dia de definição final para se saber quem é o presidente eleito pela maioria dos brasileiros, com destaque para as performances de Ciro Gomes e Simone Tebet pós Jornal Nacional da Rede Globo e debate da Rede Bandeirantes de TV.

A pesquisa do Instituto Quaest do dia 14/09 mostra que, na reta final

das eleições, a luta Lula x Bolsonaro será milímetro a milímetro, e que os estrategistas de Lula da Silva e Jair Bolsonaro vão procurar crescer essencialmente na região Sudeste.

A região Sudeste tornou-se o epicentro da decisão em função de Bolsonaro está melhor posicionado na região Sudeste, mesmo que por pequena margem, ao mesmo tempo em que Bolsonaro fortalece sua posição privilegiada na região Sul como favorito ao primeiro lugar e uma diferença menor em relação a Lula que está na frente, em primeiro lugar, nas regiões Centro-oeste e Norte.

Lula também está bem na região Sudeste, mesmo que em segundo lugar, e muito bem na região Nordeste. Cabe aos estrategistas da campanha de Lula avançar na região Sudeste um pouco que é gigantesco, de 3% a 5%, crescer um pouco, bem pouco da região Centro-oeste, 2%, avançar um pouquinho na Região Norte, 2%.

Jair Bolsonaro precisa se manter ou crescer até 4% na região Sudeste. Aumentar o ritmo de aceitação na região sudeste, aumentar muito o ritmo de sua aceitação na região Sul, de 5% a 8%, e nas regiões centro-oeste e norte de 3% a 5%, são as únicas alternativas de Jair Bolsonaro.

Jair Bolsonaro precisa diminuir sua rejeição na região Nordeste, pois o Auxílio Brasil, os efeitos e impactos das obras no Nordeste, que estão sendo feitas com rapidez em todo o Brasil, não estão trazendo resultados positivos para a eleição de Bolsonaro, mas estão trazendo resultados positivos para a avaliação do seu governo, o que é uma aparente contradição: o governo do Jair Bolsonaro está sendo bem avaliado, considerado ótimo/Bom/Regular por mais de 60% da população de todas as cinco regiões geopolíticas. Esses movimentos de Jair Bolsonaro e seu governo com os pacotes de bondades eleitorais estão de fato ajudando os atuais governadores, mas não Jair Bolsonaro candidato à presidência da república.

*Sociólogo, cientista político, técnico em estatística e professor da UFRJ.

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