A segurança pública foi o tema da primeira pergunta dos mediadores do debate da Band, realizado neste domingo (18). A jornalista Adriana Araújo questionou os candidatos sobre o avanço do tráfico de drogas em 25 estados, os índices de violência e a discussão sobre a redução da maioridade penal. Ela pediu que os presidenciáveis apresentassem propostas para combater o crime organizado.
Lula (PT) defendeu a atuação conjunta entre União, estados e municípios e criticou a falta de soluções para a segurança pública. O presidente cobrou do adversário apoio a uma proposta de emenda constitucional para ampliar a participação federal na área.
“Todo mundo sabe que segurança pública é do estado. Nenhum conseguiu resolver. Por isso precisamos de integração com o governo federal”, afirmou Lula.
O presidente citou medidas de combate às facções criminosas e disse que o governo pretende intensificar as ações contra a criminalidade. “Estamos combatendo o crime da esquina ao andar de cima”, declarou.
Lula também defendeu a atuação conjunta dos diferentes níveis de governo. “Com estado, União e prefeitura, vamos enfrentar tudo que é tipo de bandidagem”, afirmou.
Flávio Bolsonaro (PL) prometeu endurecer o combate às facções criminosas a partir de janeiro, caso seja eleito. O senador defendeu a classificação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações narcoterroristas.
“Vou declarar guerra ao narcoterrorista”, afirmou Flávio, que prometeu recuperar territórios dominados por grupos criminosos. “Vou recuperar cada metro, cada rua, cada cidade, cada território que foi tomado”, disse.
O candidato também defendeu penas mais duras para integrantes das facções e a ampliação do sistema penitenciário, com a construção de mais de 500 mil vagas. “Quem vai andar com medo são eles”, declarou.
Economia e custo de vida
Na segunda pergunta, os mediadores abordaram o crescimento econômico abaixo da média mundial, o avanço da dívida pública e as altas taxas de juros. Os candidatos foram questionados sobre as medidas que pretendem adotar para enfrentar esses problemas.
Lula destacou os resultados econômicos de seus governos anteriores e defendeu políticas para estimular a circulação de dinheiro e o desenvolvimento de pequenos negócios.
“Precisamos fazer o dinheiro circular na mão das pessoas”, afirmou o presidente.
O petista citou iniciativas voltadas às pequenas empresas e aos microempreendedores individuais (MEIs), além de apontar as economias digital e criativa como caminhos para o desenvolvimento do país.
Flávio, por sua vez, criticou os governos petistas e direcionou o discurso ao custo de vida. “A comida está mais cara ou mais barata? Quanto está o preço do arroz, do feijão e da carne na sua casa?”, questionou.
O senador também criticou o endividamento público e os gastos do governo federal. “O Brasil tem jeito. O primeiro passo é tirar o Lula da Presidência”, afirmou.
Confronto direto: INSS, Vorcaro e familiares
O tom do debate mudou quando Lula e Flávio passaram a se questionar diretamente. As acusações envolveram o escândalo dos descontos indevidos em benefícios do INSS, o empresário Daniel Vorcaro, familiares dos candidatos e suspeitas de corrupção.
Lula cobrou explicações de Flávio sobre uma votação de 2019, quando o senador era deputado estadual. Flávio respondeu mencionando Roberta Luchsinger, que, segundo ele, teria feito acusações contra o presidente.
Lula afirmou que o caso deveria ser tratado pela Polícia Federal e rebateu o adversário com referências ao escândalo do INSS. “Você tem que responder por manter escritório com o Careca do INSS”, disse o presidente.
Flávio respondeu que o chamado Careca do INSS tinha relação com o governo petista e questionou a situação do filho de Lula. O presidente afirmou que não protege familiares e defendeu a investigação de qualquer pessoa suspeita de irregularidades.
“Quem tiver problema será investigado. Não mudo o diretor da PF para não investigar”, declarou Lula.
O senador acusou o governo de abrigar grupos envolvidos em irregularidades e questionou por que o filho do presidente não estaria no Brasil. Lula rebateu com referências ao irmão de Flávio, Eduardo. “Seu irmão está conspirando contra o Brasil”.
Lula cobra explicações sobre R$ 134 milhões
A discussão sobre Daniel Vorcaro se tornou um dos momentos mais tensos do confronto. Lula insistiu para que Flávio explicasse a origem e a destinação de R$ 134 milhões mencionados durante o debate.
“Queria que você explicasse os 134 milhões do Vorcaro”, afirmou o presidente.
Flávio rebateu com uma referência a R$ 30 milhões destinados ao Instituto Lula e acusou o PT de corrupção. Mais adiante, ao ser questionado novamente sobre os recursos, respondeu que seriam “para o filme do Bolsonaro”, citando Dark Horse.
Lula insistiu na cobrança: “Só quero que você explique. Você tem que explicar o que fez com isso”.
O presidente também comparou a atuação dos governos Lula e Jair Bolsonaro no caso do empresário. “Vocês fizeram um banqueiro e eu fiz dele um prisioneiro”, declarou, em referência à situação de Vorcaro.
Flávio contestou a versão do adversário e atribuiu a responsabilidade pela prisão a decisões de autoridades do sistema de Justiça. O senador também prometeu combater a corrupção em um eventual governo e afirmou que não haveria favorecimento a aliados no Supremo Tribunal Federal (STF).
Escândalo do INSS domina troca de acusações
O caso dos descontos indevidos em aposentadorias e pensões voltou à discussão quando Flávio acusou o governo de ser marcado pela corrupção e afirmou que milhões de aposentados haviam sido prejudicados.
“Roubaram 5 milhões de aposentados. Cada 20 reais faz falta”, declarou o senador.
Flávio também criticou aliados de Lula por celebrarem o encerramento de uma comissão parlamentar de inquérito sobre o tema. O presidente respondeu que o governo atuou para desarticular o esquema e que todos os envolvidos devem ser investigados.
Lula também acusou o adversário de mentir e mencionou o caso Vorcaro para questionar sua relação com o empresário. Em outro momento, o presidente afirmou que o governo Bolsonaro havia permitido que integrantes de esquemas criminosos permanecessem soltos.
Os dois candidatos trocaram acusações sobre a responsabilidade pelos casos investigados, sem apresentar, durante o embate, uma versão consensual sobre os fatos mencionados.
Armas, segurança e direito ao voto de presos
A segurança pública voltou ao centro do confronto quando Lula questionou Flávio sobre sua atuação em defesa de um policial militar acusado de matar uma criança. O senador respondeu levantando a questão do direito ao voto de pessoas presas. “Quase 100% dos presos perigosos votaram em você”, acusou Flávio.
“Que vote 100%, até teu pai”, respondeu Lula, em referência ao debate sobre o voto de presos.
O presidente voltou a questionar a posição do adversário no caso do policial e também mencionou a atuação de Flávio em relação à identificação de balas. Lula criticou ainda a política de armas do governo Bolsonaro, afirmando que, durante aquela gestão, houve a liberação de mais de um milhão de armas e de 1,1 milhão de munições.
Flávio rebateu, acusando o governo petista de permitir a entrada de armas ilegais no país. “Você deixa correr frouxo”, afirmou.
Jornada de trabalho, pobreza e modelos econômicos
Na parte final do confronto, Lula questionou Flávio sobre propostas para os trabalhadores, incluindo a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1.
“Você vai fazer ou não a proposta da escala 6×1?”, perguntou o presidente.
Flávio afirmou que faria uma proposta melhor e defendeu um modelo econômico baseado na prosperidade, em oposição ao que classificou como miséria. Também acusou Lula de apresentar informações falsas e criticou os resultados econômicos do governo.
Os candidatos ainda trocaram referências aos governos da Argentina e a seus respectivos modelos econômicos. Lula questionou se Flávio pretendia seguir a linha do presidente argentino Javier Milei, enquanto o senador defendeu a chegada da direita ao poder para corrigir, segundo ele, os problemas da atual administração.
Na conclusão do embate, Lula destacou medidas de seu governo voltadas à educação e aos estudantes, mencionando a criação de uma iniciativa de apoio financeiro para universitários. O presidente acusou Flávio de não valorizar a educação e a tecnologia.







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