Depois de duas conversas reservadas em intervalo de duas semanas, o presidenciável Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), acertaram a realização de um ato público em conjunto no dia 25 de setembro, na quadra da Portela, em Madureira.
O movimento marca uma ampliação do palanque de Lula no no terceiro maior colégio eleitoral do país, onde o petista está em empate técnico com Jair Bolsonaro (PL) e tem como candidato ao governo Marcelo Freixo (PSB).
“É fundamental o apoio de Eduardo Paes, uma liderança que sempre teve o nosso respeito. O ato marcará uma virada significativa na campanha de Lula no Rio de Janeiro”, afirma o presidente do PT-RJ, João Maurício de Freitas.
Para governador, o PSD de Paes apoia Rodrigo Neves (PDT), que tem de vice o ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Felipe Santa Cruz, do partido do prefeito. O advogado, inclusive, prega voto em Lula desde a pré-campanha, antes mesmo de Paes. Neves está vinculado ao correligionário Ciro Gomes.
Além de Santa Cruz, outros quadros do PSD devem participar do ato, mas não há consenso em torno de Lula entre os aliados de Paes. Cálculos eleitorais podem afastar do palanque uma parte dos candidatos a deputado pelo partido. A leitura é de que, como quase todos são de centro e conseguem se manter alheios à disputa entre Lula e Bolsonaro, subir no palanque do petista pode levar a mais perdas do que ganhos.
O ato, nesse sentido, seria mais do próprio Paes, que cuida pessoalmente da preparação, do que do PSD enquanto partido. Até o momento, pouco foi passado pelo prefeito — que comanda a sigla no Rio — aos companheiros.
“Esse movimento é importantíssimo. Lula foi prejudicado até aqui por ter se isolado apenas com a esquerda [Freixo] no Rio, então é essencial que se aproxime do Eduardo Paes, nossa grande liderança de centro”, afirma Santa Cruz. O ex-presidente da OAB tem martelado a necessidade de união entre os preocupados com a democracia para derrotar Bolsonaro.

A tendência é que o Rio ganhe protagonismo na reta final da campanha de Lula. Dos três Estados mais populosos, o berço político de Bolsonaro é o que apresenta hoje conjuntura mais delicada para o ex-presidente. Em São Paulo e em Minas Gerais, tem desempenho melhor.
Além do ato com Paes, o planejamento prevê comício no centro da cidade às vésperas do primeiro turno, de modo a aproveitar a data do debate da Globo, marcado para o dia 29.






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