Lula deve anunciar Guilherme Boulos como novo ministro da Secretaria-Geral da Presidência

Substituição de Márcio Macêdo abre espaço para ampliar base social do governo e fortalecer estratégia política até 2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve anunciar o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) como novo ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, em substituição a Márcio Macêdo (PT). A decisão será oficializada após a viagem do petista aos Estados Unidos, segundo relatos de integrantes do governo.

Lula comunicou a mudança a ministros e dirigentes do PT no fim de semana, antes do embarque, e pediu empenho do partido em Sergipe para apoiar a candidatura de Márcio Macêdo a deputado nas eleições de 2026. O senador Rogério Carvalho (PT-SE) assumiu o compromisso de coordenar esse esforço.

A escolha de Boulos é vista pelo presidente como estratégia para reaproximar o governo dos movimentos sociais e da juventude, além de reforçar a atuação nas redes sociais frente à ofensiva bolsonarista. A Secretaria-Geral, instalada no Palácio do Planalto, tem papel central na interlocução do Executivo com esses setores.

Com essa decisão, Lula chega à 13ª mudança ministerial desde o início de seu terceiro mandato. A medida ocorre em meio à pressão do centrão, que ameaça migrar para uma candidatura de direita em 2026. O petista busca, assim, consolidar sua base histórica de esquerda para enfrentar a próxima disputa presidencial.

Boulos ganha chance de retomar protagonismo político

Deputado mais votado por São Paulo em 2022, Boulos terá no governo federal a oportunidade de recompor seu capital político, fragilizado após a derrota para Ricardo Nunes (MDB) na disputa pela prefeitura paulistana.

Líder do MTST, ele já havia contado com o apoio direto de Lula em 2020, quando o presidente interveio para que o PT apoiasse sua candidatura. Aliados avaliam que a entrada no ministério pode recolocar o psolista em posição estratégica para o futuro.

Durante a reforma ministerial, Lula ponderou a necessidade de escolher nomes que não precisem deixar o cargo antes das eleições de 2026. Hoje, estima-se que até 20 ministros sairão para concorrer, o que limita o espaço para novas indicações.

Além de Boulos, Lula também prepara mudanças em outras pastas, incluindo a saída do ministro do Turismo, Celso Sabino (União Brasil), por exigência de seu partido.

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