O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, responsabilizou o presidente Jair Bolsonaro e bolsonaristas raivosos pela necessidade que teve de viajar ao exterior no avião de um empresário. Ele alegou que Bolsonaro não lhe ofereceu um avião da FAB para que viajasse à COP27, no Egito, e que precisa cuidar de sua segurança, sobretudo no momento em que “bolsonaristas raivosos” se espalham pelo mundo afora.
“Tinha um amigo que queria ir na COP e tinha um avião. Fui com ele. Um avião novo, de boa qualidade, com muita segurança. É importante lembrar que um presidente eleito tem que cuidar da sua segurança, sobretudo num país em que tem bolsonaristas raivosos se espalhando pelo mundo afora. Você sabe que segurança é uma coisa séria, e quem tem responsabilidade de cuidar somos nós. Se o Estado brasileiro fosse democrata e a gente tivesse um presidente responsável, quem sabe ele tivesse oferecido um avião da FAB para me levar. Mas não ofereceu. Paciência.”
Durante entrevista coletiva em Lisboa, Lula explicou que foi convidado por governadores de estados da Amazônia e pelo governo do Egito para ir à Conferência do Clima, mas que ninguém poderia pagar sua viagem.
Ele viajou ao Egito, a Portugal e retorna ao Brasil no jato do empresário José Seripieri Filho, fundador da Qualicorp e dono da QSaúde, a quem agradeceu publicamente pelo empréstimo do avião.
“Espero que ele esteja disposto em outras oportunidades —antes de eu assumir a Presidência, porque depois eu não posso. Se eu tiver alguma viagem e ele quiser me emprestar o avião e ir junto comigo, eu vou agradecer”.
Antes de expor as razões que o levaram a aceitar a oferta do jato, Lula criticou os recentes ataques de bolsonaristas a seis ministros do Supremo Tribunal Federal, que estiveram participando de um evento em evento em Nova York.
“Vi os ataques que alguns ministros da Suprema Corte sofreram em Nova York. Não posso achar que isso faz parte da democracia. A democracia exige compromissos e limites. O país precisa voltar à paz”.
Em Lisboa, nesta sexta-feira, simpatizantes do presidente eleito e também bolsonaristas se concentraram em frente ao Palácio de Belém, sede da reunião de Lula com o presidente português Marcelo de Sousa, portando cartazes, bandeiras e entoando palavras de ordem.





