Em um evento realizado nesta quarta-feira (22) no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não poupou críticas ao governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), durante seu discurso sobre os vetos a pontos do projeto de renegociação da dívida dos estados com a União. Lula destacou que a responsabilidade pela situação financeira dos estados recai sobre Zema, sugerindo que o governador deveria lhe “dar um prêmio” pela ajuda que sua administração está oferecendo.
“O que nós fizemos para os estados que não pagavam a dívida talvez só Jesus Cristo fizesse se ele concorresse à Presidência da República desse país”, afirmou Lula.
O presidente expressou descontentamento com a reação dos governadores, que chamou de “ingratidão” diante das medidas propostas. A previsão do governo é que a renegociação possa resultar em uma perda de até R$ 106 bilhões ao longo de cinco anos, considerando a adesão de todos os estados devedores. Lula enfatizou que a expressão “obrigado” é simples, mas requer grandeza para ser pronunciada. “Ele [Zema] fez uma crítica profunda, desnecessária”, acrescentou.
Zema alegou conflito de agenda para não comparecer
O governador, que se opõe ao governo federal, foi convidado para o evento, mas alegou conflito de agenda, o que gerou críticas por parte do ministro dos Transportes, Renan Filho. O ministro argumentou que a falta de presença de Zema reflete uma postura política que prioriza interesses próprios em detrimento dos cidadãos. “Isso apequena o gestor público”, disse ele, referindo-se ao descaso em relação a uma solução abrangente para a situação financeira dos estados.
O projeto, conhecido como Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados), propõe facilidades como descontos nos juros, parcelamento das dívidas em até 30 anos e a criação de um fundo para compensar estados bons pagadores. Zema, junto com outros governadores como Cláudio Castro (PL-RJ) e Eduardo Leite (PSDB-RS), manifestou publicamente seu descontentamento com os vetos, classificando-os como um “duro golpe” e alegando que os recursos servirão para sustentar privilégios.
Durante o evento, o governo também anunciou a concessão da BR-381, com a expectativa de realizar 15 novas concessões no setor rodoviário em 2025, estabelecendo um novo recorde para o período. Essa iniciativa visa impulsionar o desenvolvimento das infraestruturas no país e atender à demanda por melhorias nas rodovias.
Com informações do UOL




