O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou o plano de construção de moradias provisórias para as vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul. Durante encontro com autoridades em Pernambuco nesta terça-feira (11), Lula declarou que obras temporárias muitas vezes se tornam permanentes e ponderou que o processo de construção de novas residências em locais seguros é demorado.
– Eu disse ao companheiro Jader (Filho, ministro das Cidades) lá no Rio Grande do Sul que sempre há a ideia de se construir casas provisórias, e eu falei que não existem casas provisórias. É melhor ser honesto com o povo, é melhor dizer que destruir é rápido, mas construir é muito demorado – afirmou Lula.
Ele acrescentou que será necessário encontrar terrenos sólidos e construir casas com infraestrutura completa, incluindo ruas, esgoto, água, energia elétrica, áreas de lazer para crianças e escolas, para que as pessoas não voltem a morar em lugares inóspitos e inseguros após o que passaram no Rio Grande do Sul.
Na sexta-feira passada, o governador Eduardo Leite anunciou a destinação de R$ 86,7 milhões para construir 250 moradias permanentes (R$ 20 milhões) e 500 temporárias (R$ 66,7 milhões), com 27 metros quadrados cada, destinadas a famílias de baixa renda. As residências serão instaladas em Eldorado do Sul (250), na Região Metropolitana de Porto Alegre (100) e no Vale do Taquari (150).
Na semana passada, o governo estadual também assinou um termo de cooperação com as prefeituras de Porto Alegre e de Canoas para a instalação dos primeiros cinco Centros Humanitários de Acolhimento (CHAs), popularmente conhecidos como “cidades provisórias”, que vão abrigar os desabrigados pelas fortes chuvas que castigaram o estado. Os locais de construção foram definidos.
Os cinco espaços anunciados pelo estado poderão abrigar 3,7 mil pessoas. Em Porto Alegre, estão previstas estruturas no Centro Humanístico Vida, no estacionamento do Porto Seco e no Centro de Eventos Ervino Besson, com capacidade para acolher até duas mil pessoas.
Em Canoas, os CHAs serão montados na avenida Guilherme Schell, próximo à Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), e no Centro Olímpico Municipal (COM), acolhendo cerca de 1.700 moradores. A gestão estadual afirma que os CHAs terão “toda a estrutura necessária para atender às demandas das famílias”, como segurança pública.
A infraestrutura prevista para os CHAs é similar à utilizada em hospitais de campanha. Serão espaços modulares em formato de galpão retangular e tenda piramidal, com estruturas metálicas e divisórias internas para definir os espaços ocupados por cada família. Outra parte dos centros será composta por 208 casas montáveis cedidas pela Agência das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), com capacidade média de cinco pessoas por unidade.
Na quinta-feira, a primeira casa emergencial foi instalada em Canoas durante um treinamento realizado pela Acnur com dez militares para demonstrar como deve ser feita a montagem. A equipe montou a moradia desde a abertura das caixas de transporte até a colocação de bases, paredes, janelas, teto e porta.
O CHA da Avenida Guilherme Schell contará com esse modelo de casa. Das 208 unidades anunciadas, 108 já estão no território gaúcho e as outras cem estão em trânsito. Oito vieram de Roraima e o restante estava na Colômbia.
O termo de cooperação assinado prevê ações conjuntas para garantir os serviços necessários para a instalação, manutenção e desmontagem dos CHAs, além da infraestrutura essencial, como segurança pública, para aqueles que perderam suas casas.
Cabe à Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do estado (Fecomércio) a contratação da empresa que irá construir os CHAs e custear a gestão do espaço. De acordo com o governo estadual, a entidade espera concluir o processo contratual até o início da próxima semana. Os centros devem começar a funcionar até 20 dias depois.
Os espaços contarão com cozinha, refeitório, lavanderia, fraldário, áreas para assistência médica e social, áreas de convivência, para crianças e animais de estimação, além de banheiros masculinos, femininos e neutros. Atualmente, o estado possui pouco mais de 400 abrigos e 21,6 mil pessoas desabrigadas.
Com informações de O Globo.





