A entrevista exclusiva do ex-presidente Lula ao portal UOL continua tendo enorme repercussão e sendo reproduzida por vários outros veículos, com foco em vários aspectos da vida nacional e na ideias dele para um terceiro governo, se eleito em 2 de outubro.
O Globo, em reportagem nesta quarta-feira (27), informa que o pré-candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que recriará todos os ministérios que teve no passado em um eventual novo mandato.
Lula também defende a criação de um Ministério das Causas Indígenas, que, segundo ele, será comandado por um indígena. O petista afirmou que pretende recriar também o Ministério do Planejamento, fundido à pasta da Economia sob a gestão Bolsonaro.
— Os ministérios que eu tinha vou recriá-los: Ministério da Igualdade Racial, Direitos Humanos, Pesca. Vou criar o Ministério das Causas Indígenas, e terá que ter um índio no ministério. Não precisa ser um branco de terno e gravata — declarou Lula.
O petista sinalizou que deve nomear um ministro político no Ministério da Fazenda, diferente do perfil do atual ministro, Paulo Guedes. Com isso, deve repetir o que fez em seu primeiro governo, quando Antônio Palocci assumiu a pasta.
— O que eu não quero é fazer um governo só de técnicos. Porque se técnico resolvesse o problema, eu iria à USP, pegaria todos os técnicos e colocaria no governo. Quem tem que dirigir é a política — declarou.
O pré-candidato do PT também defendeu a atuação de sua mulher, Rosângela da Silva, a Janja, para aconselhá-lo. Mas disse que “a mulher do presidente não tem que ter um ministério”.
O ex-presidente voltou à carga contra a atual política de preços da Petrobras — hoje baseada na política de paridade internacional (PPI) — e prometeu reverter as alterações feitas durante o governo de Michel Temer (MDB).
— Eu pretendo fazer com que o preço da Petrobras seja em função dos preços nacionais. Essa história de PPI é para agradar os acionistas em detrimento de 200 milhões de brasileiros.
O petista saiu contra a privatização dos bancos estatais, dizendo que a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil “salvaram a economia brasileira”. Repetindo o que vem dizendo sobre o papel do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) sob seu eventual novo governo, Lula defendeu uma mudança de direção na instituição e a função do Estado em momentos de crise. Para ele, “quando a coisa está boa, todo mundo fala em mercado”, mas “quem salvou o Lehmann Brother foi o Estado”.
– Quando os bancos privados não querem emprestar dinheiro, o BNDES está aí para emprestar, e inclusive baixar a taxa de juros. Hoje quero mudar o perfil do BNDES, quero fazer com que ele seja um emprestador de dinheiro para pequenos e médios empreendedores.
Lula também disse que vai criar um novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), lançado em 2007.
O petista elogiou o manifesto em defesa da democracia realizado por juristas, gestores de empresas, artistas, advogados e entidades da sociedade civil. Disse que os intelectuais e empresários “resolveram se mexer”. Declarou que irá apoiar “qualquer coisa envolvendo democracia”.
Banqueiros como Roberto Setubal, Pedro Moreira Salles e Candido Bracher (os dois primeiros são copresidentes do Itaú Unibanco, e o terceiro, ex-presidente do banco), além do ex-presidente do Credit Suisse no Brasil José Olympio Pereira estão entre os que assinaram o texto.
Lula lidera na corrida presidencial das eleições de 2022. A última pesquisa eleitoral do Datafolha, divulgada no final de junho, mostrou Lula com 47% das intenções de voto, contra 28% do presidente Jair Bolsonaro (PL).






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