O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira que está feliz com a escolha da data para a eleição na Venezuela, marcada para 28 de julho. Questionado se é possível ter uma eleição justa no atual contexto, o chefe de Estado brasileiro afirmou que olheiros do mundo inteiro foram convidados para acompanhar o pleito. Sem citar o ex-presidente Jair Bolsonaro, Lula afirmou que, mesmo com a presença de olheiros atestando o pleito, se a oposição venezuelana tiver o mesmo comportamento da brasileira, “nada vale”.
A referência é ao comportamento do ex-presidente de questionar a segurança das urnas e do processo eleitoral brasileiro.
— Sabe que eu fiquei feliz que foi marcada eleição na Venezuela. O que disseram na reunião que tive na Guiana é que vão convidar olheiros do mundo inteiro. Mas se o candidato da oposição tiver o mesmo comportamento da oposição daqui, nada vale
O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela definiu, nesta terça-feira, a data do pleito. O período para inscrições de candidato será de 21 a 25 de março e a campanha eleitoral está marcada para 4 a 25 de julho. A votação será em 28 de julho — data de aniversário do falecido presidente Hugo Chávez. A expectativa é de que o atual presidente, Nicolás Maduro, se candidate e que sua principal opositora, María Corina Machado, seja impedida de concorrer.
A realização de eleições livres, justas e transparentes ainda esse ano fazia parte do acordo firmado em Barbados, no fim do ano passado, entre governo e oposição com a presença de observadores internacionais. Uma das cláusulas previstas no documento exigia que os candidatos contrários a Maduro tivessem permissão para recorrer de decisões judiciais que os desqualificassem para o cargo. Apesar disso, Maria Corina Machado, principal nome da oposição, venceu primárias realizadas em 2023 por ampla margem, mas está inabilitada por 15 anos.
Em janeiro, o tribunal decidiu que Maria Corina Machado permaneceria desqualificada “por estar envolvida na trama de corrupção orquestrada” pelo ex-líder da oposição Juan Guaidó, alegando que a “conspiração” havia levado a um “bloqueio criminoso da República Bolivariana da Venezuela, bem como à desavergonhada desapropriação de empresas e riquezas do povo venezuelano no exterior, com a cumplicidade de governos corruptos”.
O tribunal também confirmou a inelegibilidade de um possível substituto da oposição, o duas vezes candidato presidencial Henrique Capriles. Após a decisão, María Corina Machado acusou Maduro e seu “sistema criminoso” de buscar “eleições fraudulentas”.
O acordo de Barbados também fez com que os estadunidenses abrandassem as sanções contra a Venezuela, permitindo que a Chevron, sediada nos EUA, retomasse a extração limitada de petróleo e abrindo caminho para uma troca de prisioneiros. Mas Washington se desencantou com os passos dados por Caracas e anunciou que voltariam a impor algumas sanções.
Sobre as eleições, Maduro afirmou no mês passado que o “povo no poder” certamente venceria. O presidente venezuelano não confirmou que buscará um terceiro mandato de seis anos, mas é amplamente esperado que o faça.
Com informações do GLOBO.





