Lula adota novo lema no 2º turno: “proteção para o trabalhador e prisão para o bandido”

Mudança marca nova estratégia do presidente na disputa contra Flávio Bolsonaro, com segurança pública no centro da campanha

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu mudar o tom da campanha no segundo turno e colocou a segurança pública no centro da estratégia eleitoral. Em reunião com parlamentares eleitos e aliados, nesta quarta-feira (7), Lula anunciou um novo lema: “para o povo trabalhador, a proteção; para o bandido, a prisão”.

A mudança ocorre depois de o petista terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro (PL), que tem explorado o combate à criminalidade como uma das principais bandeiras da campanha. Lula também fez uma autocrítica sobre a primeira etapa da disputa e reconheceu problemas na organização de sua campanha.

“O nosso lema é o seguinte: para o povo trabalhador, a proteção; para o bandido, a prisão. É esse o nosso lema daqui para frente”, afirmou o presidente durante o encontro em Brasília.

Lula quer segurança pública no centro da campanha

A orientação aos parlamentares aliados é incorporar o tema da segurança pública ao discurso eleitoral e ampliar a mobilização nas redes sociais e nas ruas.

Lula voltou a defender a aprovação da PEC da Segurança Pública, proposta que amplia a participação da União no combate ao crime e cria mecanismos para integrar as ações de segurança de União, Estados, Distrito Federal e municípios.

O presidente argumentou que a atual estrutura, definida pela Constituição de 1988, deixou grande parte da responsabilidade pela segurança pública concentrada nos Estados.

Segundo Lula, a proposta representa uma mudança nesse modelo. “Os Estados sozinhos não deram conta”, afirmou.

O presidente também disse que o governo pretende transformar 138 presídios regionais em unidades de segurança máxima para enfrentar organizações criminosas como o Comando Vermelho e o PCC.

Disputa com Flávio Bolsonaro

A segurança pública se tornou um dos principais campos de confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro neste segundo turno.

Na terça-feira (6), o candidato do PL prometeu aumentar as penas para chefes de organizações criminosas e defendeu medidas mais duras contra facções.

A campanha de Lula passou a responder às propostas do adversário destacando medidas adotadas pelo atual governo. Entre elas está a chamada Lei Antifacção, que prevê penas de 20 a 40 anos de prisão para integrantes que ocupem posições de liderança em organizações criminosas.

A equipe petista também tem usado a propaganda eleitoral para associar Flávio Bolsonaro a episódios envolvendo milícias no Rio de Janeiro.

Com a segurança pública ganhando espaço na campanha, Lula tenta ocupar um tema tradicionalmente explorado pela direita e apresentar o governo como capaz de combinar ações de proteção à população com medidas de combate ao crime organizado.

Lula admite falhas na campanha

A mudança de estratégia ocorre em meio a críticas internas sobre a condução da campanha presidencial.

Durante o encontro desta quarta-feira, Lula afirmou que a campanha do primeiro turno foi a “menos organizada” entre todas as disputas presidenciais das quais participou desde 1989.

“Eu acho que nós fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade. Acho que a gente poderia ter feito mais”, declarou o presidente.

A avaliação ocorre após o resultado do primeiro turno, quando Lula terminou atrás de Flávio Bolsonaro. O desempenho provocou pressão por mudanças na comunicação e ampliou as discussões internas sobre os rumos da campanha.

Aliados defendem maior presença de Lula nas redes sociais e uma comunicação mais direta com o eleitor. A estratégia já começou a aparecer em vídeos e publicações do presidente, que passou a intensificar também a convocação de apoiadores para atividades nas ruas.

O que prevê a PEC da Segurança Pública

A PEC 18/2025 amplia a participação da União na coordenação das políticas de segurança pública e inclui o Sistema Único de Segurança Pública (Susp) na Constituição.

A proposta estabelece mecanismos de cooperação entre União, Estados, Distrito Federal e municípios, com integração de informações, sistemas e operações policiais.

O texto também amplia atribuições da Polícia Federal no combate a organizações criminosas e milícias com atuação interestadual ou internacional. A Polícia Rodoviária Federal poderá atuar no policiamento ostensivo de ferrovias e hidrovias federais.

Outro ponto prevê a possibilidade de criação de polícias municipais, de natureza civil, para atuação ostensiva e comunitária.

A proposta ainda prevê regras mais rígidas para integrantes de facções, milícias e organizações paramilitares, incluindo possibilidade de cumprimento de pena em unidades de segurança máxima, restrições a benefícios e perda de bens relacionados às atividades criminosas.

PEC ainda enfrenta impasse no Senado

A proposta foi apresentada pelo governo em abril de 2025 e passou por mudanças durante a tramitação na Câmara dos Deputados.

No Senado, a PEC foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em 2 de setembro. O texto, porém, ainda não avançou para votação definitiva no Plenário.

Um dos principais pontos de divergência envolve o financiamento das políticas de segurança pública com recursos provenientes das apostas de quota fixa, as chamadas bets.

O texto prevê que parte da arrecadação seja destinada aos fundos de segurança pública e penitenciário. O mecanismo, no entanto, provocou questionamentos entre senadores e contribuiu para o adiamento da votação em Plenário.

A discussão deverá voltar à pauta do Senado, enquanto Lula tenta transformar a aprovação da PEC em uma das principais bandeiras de seu segundo turno.


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