Embora a guerra da Ucrânia não seja tema oficial do fórum que reúne países europeus e latino-americanos em Bruxelas, Lula não deixou de abordar o assunto em seu discurso hoje de manhã. Ele acusa os países envolvidos no fornecimento de armas de gastarem mais para alimentar a guerra do que para alimentar o povo.
Segundo Jamil Chade, do UOL, sem nomear culpados ou atacar as potências Ocidentais, o presidente Lula (PT) usou seu primeiro discurso em Bruxelas nesta segunda-feira para criticar a guerra na Ucrânia.
Segundo o brasileiro:
“A guerra no coração da Europa lança sobre o mundo o manto da incerteza e canaliza para fins bélicos recursos até então essenciais para a economia e programas sociais”.
Ele ainda apontou:
“A corrida armamentista dificulta ainda mais o enfrentamento da mudança do clima”.
Lula defendeu que, diante de “todos esses desafios, cabe aos governantes, empresários e trabalhadores reconstituir o caminho da prosperidade, da retomada da produção, dos investimentos e dos empregos”.
O discurso ocorreu na abertura dos eventos empresariais, que antecipam a Cúpula América Latina-Europa, programada para ser iniciada nesta segunda-feira, em Bruxelas.
Em 2022, o mundo gastou em armamentos mais de US$ 2 trilhões, um recorde segundo o Instituto de Pesquisas pela Paz, de Estocolmo.
No momento que marcou o primeiro ano da guerra, em fevereiro de 2023, a Ucrânia já havia recebido em ajuda Ocidental mais de US$ 100 bilhões. O valor supera o que países ricos ofereceram aos emergentes para lidar com mudanças climáticas.
Agora, de uma forma mais sutil, ele volta a tocar no tema. Mas, em plena capital da Europa, o presidente brasileiro optou por não apontar culpados.
A cúpula entre a Europa e a América Latina, de fato, vive um impasse. Nas negociações sobre a declaração final, a guerra na Ucrânia está impedindo que os governos cheguem a um acordo sobre os termos que serão estabelecidos na relação entre os dois continentes.
Os europeus querem que a declaração final cite a “guerra de agressão” contra o território ucraniano, denunciando abertamente a Rússia pelo ataque. Mas governos latino-americanos se recusam a aceitar os termos. A opção da América Latina é de que a declaração apenas mencione a “guerra na Ucrânia”, sem apontar Moscou como culpado.
Governos como o de Cuba ou Nicarágua, contrários a qualquer gesto da OTAN, sequer aceitam que o assunto entre na declaração final da cúpula, apontando que não se trata de um tema do encontro.
O Brasil, nos bastidores, também é contrário às referências de uma “guerra de agressão”. Mas, diante das posturas maximalistas de europeus e dos governos bolivarianos, a diplomacia nacional tentará costurar uma posição intermediária que possa ser aceita tanto por europeus como pelos latino-americanos.
Desde o início do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, a questão da guerra na Ucrânia dividiu europeus e a nova diplomacia brasileira. O Palácio do Planalto insiste em buscar caminhos para negociar uma saída diplomática para o conflito, posição que irritou as potências Ocidentais.





