A movimentação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para viabilizar a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal ganhou novo fôlego nos bastidores. A estratégia do governo é acelerar o processo antes que uma eventual delação do banqueiro Daniel Vorcaro complique ainda mais o ambiente político no Senado.
Apesar de o nome de Messias já ter sido publicado no Diário Oficial da União há cerca de quatro meses, após a saída de Luís Roberto Barroso, a mensagem oficial de indicação ainda não foi enviada ao Congresso. O atraso foi uma decisão estratégica para evitar risco de rejeição.
Nos bastidores, o governo avalia que o cenário político segue delicado, com pressão das investigações envolvendo o Banco Master e o INSS, além do desgaste causado por CPIs em andamento.
Articulação política mira apoio no Senado
Para garantir os 41 votos necessários à aprovação, Lula intensificou o diálogo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Apenas neste mês, foram ao menos três telefonemas, considerados cordiais por interlocutores, embora o senador ainda evite encontros presenciais.
A expectativa do Planalto é destravar a indicação após o fim da janela partidária, em 3 de abril, período em que deputados podem trocar de legenda. A intenção é concluir a votação em até 60 dias, evitando que o tema seja afetado pelo recesso parlamentar ou pelo acirramento das eleições de 2026.
Outro fator considerado decisivo é o movimento político em Minas Gerais. O senador Rodrigo Pacheco, que era visto como opção ao STF, deve oficializar candidatura ao governo do estado com apoio do presidente.
“Fator Pacheco” pode destravar indicação
A leitura no Planalto é que, com Pacheco fora da disputa pela vaga no Supremo, Alcolumbre tende a demonstrar maior disposição para pautar a indicação de Messias.
Um encontro entre Lula e Pacheco está previsto para consolidar esse alinhamento político, o que pode influenciar diretamente o andamento do processo no Senado.
Ainda assim, auxiliares do governo reconhecem que, mesmo com votos suficientes no papel, a aprovação depende do aval do presidente da Casa.
Resistência e risco de adiamento preocupam governo
O clima no Senado, porém, continua tenso. A possibilidade de uma delação de Vorcaro, com potencial de atingir atores políticos relevantes, aumenta a cautela dos parlamentares em votar indicações ao STF.
Além disso, a polarização eleitoral tende a dificultar consensos. O senador Flávio Bolsonaro já declarou que articula oposição ao nome de Messias, acusando o governo de interferência no Judiciário.
Caso a indicação não avance neste semestre, o governo teme que a vaga no Supremo permaneça aberta até o fim do ano, impactada diretamente pelo calendário eleitoral e pelo avanço das investigações.






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