Durante participação na quinta edição do “Café no CAU”, realizada na quinta-feira (26) na sede do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio (CAU/RJ), o deputado estadual Luiz Paulo (PSD) fez duras críticas à descontinuidade das políticas públicas voltadas ao desenvolvimento da Região Metropolitana e defendeu o transporte ferroviário como eixo estratégico para reverter o atual quadro de estagnação.
“Esse possível desenvolvimento econômico devia ser um projeto de Estado, e não apenas de governo. A extinção da Fundrem (Fundação para o Desenvolvimento da Região Metropolitana do Rio ) durante o governo Faria Lima foi um retrocesso, agravado pela desindustrialização que reduziu nossa arrecadação”, afirmou o parlamentar, ao abordar a desarticulação de políticas regionais que, segundo ele, compromete o planejamento urbano e econômico do estado.
O evento, cujo tema foi “Desenvolvimento Urbano e Econômico Metropolitano”, reuniu também o economista Mauro Osório, doutor em planejamento urbano e regional, e o arquiteto e urbanista Vicente Loureiro, que mediou a conversa. A mesa de debates discutiu alternativas para integrar políticas públicas e fomentar um desenvolvimento sustentável na metrópole fluminense, a partir de uma perspectiva técnica e estruturante.
Na abertura, o presidente do CAU/RJ, Sydnei Menezes, ressaltou o histórico de tentativas frustradas de articulação metropolitana. “A figura da região metropolitana ainda não é bem assimilada por nós. A FUNDREM, por exemplo, foi um avanço importante, mas não teve continuidade”, disse ele.
Engenheiro civil de formação, Luiz Paulo defendeu enfaticamente a retomada e a modernização da malha ferroviária fluminense como ferramenta para melhorar a mobilidade urbana e impulsionar a economia local. “Sou um defensor intransigente do transporte sob trilhos. O trem pode transportar mais de um milhão de passageiros por dia, com qualidade, pontualidade e tarifa acessível. É por isso que presido a Frente Parlamentar Pró-Ferrovia na Alerj. Precisamos resgatar essa capacidade do Estado”, afirmou.
O parlamentar lembrou que a atual malha ferroviária do estado do Rio de Janeiro possui 270 quilômetros de extensão e atende a 11 municípios da região metropolitana. Segundo ele, investir nesse modal é também uma alternativa eficiente para o escoamento de cargas. “Um único trem pode substituir até 250 caminhões, ajudando a reduzir congestionamentos e o desgaste das vias”, explicou.
Luiz Paulo também defendeu a construção de uma política de subsídio tarifário para o transporte público sobre trilhos, com envolvimento dos governos federal, estadual e municipais. Para ele, essa é uma medida urgente diante da crise enfrentada pela Supervia, concessionária que opera o sistema ferroviário de passageiros do estado.
“Enquanto não tivermos uma solução definitiva para a situação da Supervia, o transporte continuará prejudicado. Uma tarifa subsidiada é essencial e deve ser construída em conjunto com os entes envolvidos”, concluiu.
O economista Mauro Osório, por sua vez, chamou atenção para o esvaziamento técnico da máquina pública e a ausência de cultura de planejamento regional no estado. “Sem servidores capacitados e sem cultura de reflexão regional, é difícil avançarmos. Agradeço ao CAU/RJ por promover esse espaço de discussão tão necessário”, afirmou.
O encontro reafirmou o papel do planejamento urbano integrado, da mobilidade sustentável e da cooperação federativa como elementos centrais para o futuro da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Ao reunir especialistas, gestores públicos e representantes da sociedade civil, o “Café no CAU” contribuiu para a construção de uma agenda comum em torno do desenvolvimento metropolitano.





