Um vídeo de bastidores gravado durante as filmagens do Domingão com Huck, em agosto, na Aldeia Ipatse, no Xingu (MT), ganhou repercussão nas redes sociais e gerou duras criticas ao apresentador Luciano Huck, da TV Globo.
As imagens, que viralizaram nas redes sociais, mostram o comunicador, ao lado da cantora Anitta, pedindo aos indígenas que retirassem celulares e algumas peças de roupa consideradas por ele ‘não tradicionais’ antes de uma foto.
No registro, feito durante a gravação de um quadro, Huck aparece orientando os moradores da aldeia sobre o enquadramento das imagens. Em determinado momento, ele afirma: “Quanto mais o celular de vocês aparece, menos é a cultura de vocês”.
Veja o vídeo:
A fala provocou reação imediata na internet. Usuários apontaram que o apresentador demonstrou uma visão estereotipada sobre o modo de vida atual dos povos originários.
“O vídeo recente do Luciano Huck pedindo para indígenas ‘esconderem o celular’ durante a gravação expõe uma visão ultrapassada sobre quem são os povos indígenas hoje. Cultura indígena não é fantasia nem cenário é viva, contemporânea e também usamos tecnologia”, escreveu Weena Tikuna, ativista e influenciadora indígena.
A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira também usou as redes sociais para se manifestar sobre o caso.
“O acesso à tecnologia deve ser um direito garantido a todos os cidadãos brasileiros. Possuir um celular não torna um parente menos indígena. A tecnologia e a internet têm sido fundamentais para os povos indígenas na luta por seus territórios, auxiliando no monitoramento e gestão ambiental, no acesso a oportunidades de educação e trabalho, na comunicação entre comunidades, organizações e o Estado, além de possibilitar denúncias de violações de direitos indígenas que foram historicamente invisibilizadas”, diz um trecho da nota.
Apresentador se manifesta
Diante da repercussão, Huck se manifestou por meio de uma nota publicada nos stories do Instagram na sexta-feira (5).
“Minha relação com as comunidades indígenas no Brasil atravessa décadas. Sou, e sempre serei, defensor dos povos originários, de sua cultura, de sua territorialidade e de sua preservação. Dos Zo’é aos Yanomami, estive pessoalmente em dezenas de terras indígenas ao longo da minha trajetória. Eu conheço de perto essa realidade; não foi alguém que me contou”, começou ele.
“Sobre a imagem em questão, registrada nos bastidores de uma gravação, é importante esclarecer: não se tratou de impor qualquer tipo de limitação cultural ou de consumo. Foi apenas uma decisão de direção de arte, um ajuste pontual dentro do contexto de um set de filmagem, nada além disso”, concluiu o apresentador.






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