Chefão do PCC é expulso da Bolívia após prisão e transferido para o Brasil

Tuta já foi o número dois de Marcola e é considerado peça-chave nas finanças e articulações da facção

Foi transferido para o Brasil neste domingo (19) o criminoso Marcos Roberto de Almeida, conhecido como Tuta, apontado como uma das principais lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC). Ele havia sido preso em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, por uso de documento falso, durante uma operação conjunta da Polícia Federal brasileira com a Fuerza Especial de Lucha contra el Crimen (FELCC), com apoio da Interpol. As informações são do jornal O GLOBO.

Tuta foi expulso do país após decisão judicial e entregue às autoridades brasileiras em Corumbá (MS). Ele foi escoltado por agentes da Fuerza Especial de Lucha contra el Narcotráfico (FELCN). A transferência foi exibida pela GloboNews. A Polícia Federal ainda não divulgou para qual unidade prisional ele será encaminhado.

Apesar de já não ocupar o posto de sucessor direto de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, Tuta ainda é considerado uma figura influente dentro da facção. “Ele já não tinha mais esse status de sucessor de Marcola, mas ainda é importante para a facção”, explicou o promotor Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em entrevista ao jornal O GLOBO.

Homem de confiança e estrategista financeiro

Marcos Roberto de Almeida tem uma longa trajetória dentro da organização criminosa. Também conhecido pelos codinomes Angola, Africano, Marquinhos, Tá Bem, Boy e Gringo, ele estava foragido desde 2020. Segundo o Ministério Público de São Paulo, após o isolamento de Marcola no sistema penitenciário federal em 2019, Tuta passou a ocupar uma posição de liderança operacional, sendo responsável por decisões estratégicas que incluíam o controle do fluxo de caixa do PCC e o levantamento de informações sobre autoridades e policiais que poderiam ser alvo de ataques.

Ainda de acordo com as investigações, Tuta foi o mentor do plano de resgate de Marcola elaborado em dezembro de 2019, frustrado pelas autoridades antes que pudesse ser executado. Ele também é apontado como peça central na estrutura de lavagem de dinheiro da facção.

Em 2020, o Ministério Público tentou prendê-lo no âmbito da Operação Sharks, sem sucesso. Três anos depois, uma nova fase da investigação teve como alvo operadores financeiros que atuavam diretamente com ele. O MP afirma que Tuta havia montado uma rede para lavar os recursos ilícitos da facção com o uso de “laranjas” responsáveis pela negociação de imóveis, movimentações bancárias e compra de empresas.

Dois desses operadores foram presos em 2023, mas Tuta seguiu foragido até ser localizado na Bolívia. Ele foi capturado após tentar usar um documento de identidade falso. Sua prisão se deu com base em informações repassadas pela Interpol, que havia incluído seu nome na Lista de Difusão Vermelha — um instrumento de cooperação internacional que amplia a busca por criminosos foragidos.

Condenações e histórico criminal

Tuta já foi preso anteriormente em 2006, quando foi detido em Guarulhos (SP) por policiais das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota). No momento da abordagem, ofereceu R$ 50 mil aos agentes para evitar a prisão, o que resultou em sua condenação também por corrupção ativa.

Na ocasião, foi sentenciado a 23 anos e 7 meses de prisão pelos crimes de latrocínio, roubo qualificado, cárcere privado, uso de documento falso, falsificação de documento público, ameaça e dano qualificado. Em 2014, deixou a prisão por progressão de pena ao regime aberto.

Mais recentemente, já havia sido condenado novamente no Brasil por associação criminosa e lavagem de capitais, com pena superior a 12 anos de reclusão.

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