Um major da polícia boliviana, chefe de um grupo de inteligência em Santa Cruz de la Sierra, foi detido nesta quarta-feira (22) sob a acusação de proteger Marcos Roberto Almeida, conhecido como “Tuta”, um dos principais líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC). A informação foi divulgada com base em dados do Ministério Público da Bolívia e relatórios das autoridades locais.
O policial, que atuava na Força Especial de Combate à Violência (Felcv), órgão especializado na prevenção e investigação de crimes violentos, foi preso por ordem da Procuradoria Anticorrupção e levado para prestar depoimento em uma unidade dedicada à luta contra a corrupção. A investigação aponta que o major teria oferecido orientações a Tuta pouco antes da prisão do traficante, em uma ação que envolveu documentos falsificados.
Relatórios e imagens de câmeras internas do Serviço Geral de Identificação Pessoal da Bolívia mostram o major conversando com Tuta no dia 16 de maio, quando o traficante tentava autenticar documentos falsos. O líder do PCC estava acompanhado de dois homens que, segundo as autoridades, atuavam como seus guarda-costas — um deles seria o próprio major.
O promotor da região de Santa Cruz, Alberto Zeballos Flores, confirmou a prisão do oficial e detalhou que ele é investigado por supostos crimes de uso indevido de influência, apropriação de bens e serviços públicos, e colaboração com atividades criminosas. “A operação foi realizada em conjunto entre a Delegacia Especializada de Repressão a Crimes de Corrupção do Ministério Público e a polícia”, afirmou Zeballos Flores em nota oficial.
Em depoimento prestado nesta sexta-feira (23) à Promotoria, o major inicialmente permaneceu em silêncio, mas depois de conversar com seu advogado decidiu apresentar uma declaração. A imprensa não conseguiu contato com a defesa do policial.
Além da investigação criminal, a polícia boliviana pode aplicar sanções administrativas, como aposentadoria compulsória ou demissão do major. Paralelamente, Tuta foi entregue às autoridades brasileiras após sua prisão, já que constava na lista da Interpol. Ele foi encaminhado para a Penitenciária Federal de Brasília, onde outros líderes do PCC também estão detidos.
Marcos Roberto Almeida era responsável pela logística do tráfico de drogas do grupo criminoso e possui condenações por associação criminosa e lavagem de dinheiro. Somente entre 2018 e 2019, ele teria lavado cerca de R$ 1,2 bilhão, conforme investigações brasileiras.





