O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, participará neste domingo (6) da cúpula de chefes de Estado do Brics, no Rio de Janeiro, para entregar um documento com propostas elaboradas pelo Conselho Popular do Brics, iniciativa que permite a participação da sociedade civil nas discussões do grupo.
Segundo informa a coluna Painel, do jornal Folha de S. Paulo, o material é resultado de reuniões realizadas ao longo da semana no âmbito do Fórum Popular do Brics, realizado em paralelo à programação oficial da cúpula, e reflete os debates de sete grupos de trabalho formados para discutir temas prioritários. Com cerca de 80 páginas, o documento apresenta recomendações sobre questões ambientais e climáticas, educação, cultura, finanças internacionais e soberania digital.
A entrega do relatório ocorre em um momento simbólico para o Brics, que realiza sua cúpula sob presidência brasileira e amplia o debate sobre o papel do bloco em temas globais. Para os organizadores do Conselho Popular, o gesto representa um passo importante para fortalecer a integração entre governos e sociedade civil nos processos de decisão do grupo.
Ampliando vozes no Brics
Criado após o Fórum Civil de 2024, o Conselho Popular do Brics tem como objetivo democratizar o acesso aos fóruns de decisão do bloco e garantir que as demandas sociais dos países-membros tenham espaço nas pautas oficiais. A presença de João Pedro Stédile na entrega do documento simboliza o esforço de movimentos sociais e organizações populares em inserir suas agendas nas negociações multilaterais.
Entre os temas centrais do relatório estão propostas de transição ecológica justa, fortalecimento da educação pública nos países do Sul Global, incentivo à produção cultural independente e regras internacionais mais equitativas para regulação da internet e da inteligência artificial.
Bloco ganha novos contornos
Fundado inicialmente por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, o Brics vem passando por um processo de expansão. Atualmente, o grupo inclui também Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã como membros plenos. A Arábia Saudita, embora convidada em 2023, ainda não formalizou sua adesão, mas tem enviado representantes às reuniões.
A entrega das propostas do Conselho Popular ocorre no segundo e mais importante dia da cúpula, quando os chefes de Estado debatem temas como financiamento ao desenvolvimento, reforma da governança global e uso ético da tecnologia.
A participação de Stédile e a inclusão do documento na agenda oficial da cúpula reforçam o discurso do Brasil em favor de um Brics mais plural, com espaço para diferentes vozes — inclusive as que não ocupam cargos em governos, mas atuam diretamente com as comunidades.





