Líder da Frente Evangélica na Câmara repete críticas usuais ao governo e ao STF e defende isenção tributária para pastores  

‘A gente está vivendo um tempo no Brasil “muito perigoso”, que eu chamo de igrejafobia, bibliofobia’, afirma Eli Borges

O líder da Frente Evangélica na Câmara, deputado Eli Borges (PL-TO) retoma as críticas que este setor faz constantemente em sua atuação parlamentar  e repete que o Brasil vive um momento de “bibliofobia” e “perseguição” ao segmento religioso. Sem escapar do padrão, o parlamentar diz que este movimento estaria alinhado com políticas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Borges assumiu o posto — que reveza a cada semestre com o deputado Silas Câmara (Republicanos-AM) — na semana passada.

— A gente está vivendo um tempo no Brasil “muito perigoso”, que eu chamo de igrejafobia, bibliofobia. E agora parece que estão criando a figura da sacerdotefobia. É horrível isso, porque são pessoas que estão aparelhadas com as políticas públicas do governo federal — afirmou em entrevista ao Metrópoles.

O parlamentar elencou como prioridade da bancada neste ano a “defesa da família nos moldes judaico-patriarcal, que é o modelo da biologia, da ciência, para defendermos a liberdade e no contexto da democracia, especialmente a religiosa, respeitando todas as religiões”.

Ao ser questionado sobre a união estável entre pessoas LGBTQIA+, o parlamentar afirmou que o Supremo Tribunal Federal (STF) “precisa xeretar um pouco menos o Poder Legislativo”. Em 2011, a Corte equiparou relações entre pessoas do mesmo sexo às uniões estáveis entre homens e mulheres, reconhecendo a união homoafetiva como um núcleo familiar.

— Temos que entender que isso já é pacificado pelo Supremo Tribunal Federal, que a priori precisa xeretar um pouco menos o Poder Legislativo brasileiro, com todo respeito aos ministros, sobretudo alguns deles — disse ao Metrópoles.

Borges também defende que a prebenda recebida por pastores continue isenta de impostos. O embate de líderes religiosos com o governo federal teve início após a Receita Federal ter suspendido em janeiro um ato editado no governo de Jair Bolsonaro (PL) que beneficiava as igrejas. Um grupo de trabalho foi criado para discutir a questão.

Pela legislação, o pagamento a pastores e padres pela atividade religiosa para fins de subsistência, conhecido no meio evangélico como prebenda e no católico como côngrua, não é considerado uma forma de remuneração. Por isso, fica isento do pagamento da contribuição, por parte das igrejas, ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Desde o início do governo, interlocutores reclamam da ausência de proximidade com o Palácio do Planalto, enquanto pastores ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro mantém críticas ao petista. Borges argumenta que se o presidente Lula “for inteligente, vai respeitar os mais de 200 mil líderes religiosos que existem” no Brasil.

— É uma decisão da cabeça dele. Quando ele foi candidato, ele prometeu nos respeitar. Ele prometeu que haveria diálogo franco e aberto. Tem uma expressão da Bíblia que diz que, pelo fruto, você conhece a árvore. O fruto que ele dá quando verbaliza o relacionamento não é exatamente dos registros que ele fez na campanha eleitoral. Muita gente ‘fez o L’ porque acreditou nesses registros. (O fruto) não é de um presidente que reconhece a importância do segmento religioso — disse na entrevista.

Com informações de O Globo.

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