Para o presidente do Conselho Científico do Ipespe, o cientista politico Antonio Lavareda, é improvável que Jair Bolsonaro (PL) consiga uma virada contra o ex-presidente Lula (PT) na eleição presidencial deste domingo (30). Ele entende que as pesquisas já sinalizaram uma vitória petista e nem mesmo o debate desta sexta (28) conseguirá mudar o cenário.
A matéria é do UOL.
“É muito difícil, praticamente impossível, haver inversão na última semana de uma eleição de 2º turno. Pesquisas assinalaram um avanço, uma recuperação da margem do Lula sobre Bolsonaro. Na média das pesquisas a diferença de Lula é de 5,8 [pontos percentuais]. Essa diferença era menor, 5,2, na semana passada. Arredondando, isso significa um ponto”, observou Lavareda no UOL News desta sexta.
Depois Lavareda falou sobre o confronto que acontecerá entre os dois candidatos na Rede Globo. “Tem debate, vai ter alguma influência e não sabemos o desfecho, mas não acredito, pela história da influência dos debates, que ele venha a ser decisivo. A última vez que um debate influenciou foi em 2006. O Lula não compareceu e isso o prejudicou. Segundo analistas, isso foi responsável por levá-lo ao segundo turno”, lembrou Lavareda.
Ele também comentou que a abstinência deve aumentar cerca de 1%, mas afirmou que todas pesquisas estão levando isso em conta. “Esse fato, junto com a realidade de não ter voto útil, contribui para que pesquisas se aproximem bastante, quando não coincidam, com o resultado no 2º turno”.
Lavareda também apontou como deve ser a apuração de domingo. Ele acredita que, assim como em 2018, os primeiros resultados já vão mostrar uma grande quantidade de urnas apuradas.
“Se tivéssemos o mesmo padrão do 1º turno, teríamos uma dianteira de Bolsonaro expressiva no início, superior a 20 pontos válidos, com isso diminuindo ao longo do tempo. Em uma hora e meia, menos de duas horas, Lula empataria e eventualmente ultrapassaria conforme dados da pesquisa. Mas em 2018 isso foi diferente. Primeiro já chegaram 60% das urnas apuradas. Com um percentual desse, já teremos votos do Nordeste, e a distância não vai estar tão grande”, explicou ele.
Lavareda foi perguntado se, com a possível derrota, Bolsonaro conseguirá fazer uma oposição forte a Lula. Ele explicou que o atual presidente seguirá forte em eleições. Mas para fazer uma oposição eficiente precisará de apoio do partido.
“Bolsonaro vai continuar a ser o líder eleitoral desse espectro do centro até extrema direita. Vai ter outros competidores. No centro devemos olhar a Simone Tebet, vocacionada a reestruturar o centro direito democrático. Mas se Bolsonaro será capaz de liderar uma oposição, é mais dificil. Ele poderá encontrar algum partido, talvez o PL, que sai vitalizado, pra fazê-lo. E como liderança eleitoral dificilmente não se manterá”, analisou ele.





