A Justiça de Minas Gerais determinou neste sábado (7/6) a soltura de Filipe Martins Cruz, preso após agredir um bebê de quatro meses em um food truck no bairro Savassi, em Belo Horizonte. A informação é do Metrópoles, que teve acesso à decisão da audiência de custódia.
Filipe foi detido após desferir um tapa na cabeça da criança, alegando ter confundido o bebê com um boneco reborn — tipo de boneca hiper-realista que imita bebês reais. Segundo relatos, ele insistiu que a criança era falsa antes de agredi-la. A agressão provocou inchaço no lado direito do crânio do bebê, segundo a juíza Maria Beatriz Fonseca da Costa Biasutti Silva, responsável pela análise do caso.
Apesar da violência do ato, a magistrada entendeu que o crime se enquadra como lesão corporal leve, cuja pena máxima é inferior a quatro anos. Por isso, não haveria base legal para decretar a prisão preventiva, conforme o artigo 313, inciso I, do Código de Processo Penal.
“Não restando preenchido um dos requisitos legais para a decretação da prisão preventiva, a liberdade provisória com imposição de medidas cautelares mostra-se mais adequada neste momento”, escreveu a juíza na decisão.
A soltura foi condicionada ao pagamento de fiança no valor de três salários mínimos. Filipe também deverá se apresentar periodicamente à Central de Acompanhamento de Alternativas Penais.
Segundo a Polícia Militar, o homem aparentava estar alcoolizado no momento da agressão. Ele relatou aos agentes ter se irritado com uma suposta preferência concedida à mãe da criança na fila do food truck.
De acordo com a mãe, o homem inicialmente interagiu de forma amistosa com o bebê, fazendo comentários carinhosos. Em seguida, questionou o pai da criança se se tratava de um “reborn”. Sem aceitar as respostas, desferiu o golpe contra a cabeça do bebê.
Após o ataque, Filipe foi contido por populares e quase linchado antes da chegada da PM. Vídeos do momento circularam nas redes sociais e causaram indignação.
A repercussão do caso levantou debates sobre os limites do uso de bonecas hiper-realistas no cotidiano e o impacto psicológico de tratá-las como seres reais — tema abordado por especialistas em saúde mental.





