Justiça mantém bloqueio de mais de R$ 106 milhões do BB Securities em ação que apura prejuízo bilionário ao Rioprevidência

Ação civil pública movida pelo MPRJ investiga prejuízo superior a R$ 912 milhões causado ao Fundo

O Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), seguindo parecer do Ministério Público (MPRJ), manteve em segunda instância a decisão que determinou a indisponibilidade e penhora de mais de R$ 106 milhões do Banco do Brasil Securities LLC, braço internacional do Banco do Brasil com sede nos Estados Unidos. A decisão foi da 8ª Câmara de Direito Público do TJRJ, com relatoria da desembargadora Maria Augusta Vaz Monteiro de Figueiredo, e confirma sentença anterior proferida pela 7ª Vara de Fazenda Pública da Capital.

A medida cautelar decorre de ação civil pública movida pelo Grupo de Atuação Especializada no Combate à Sonegação Fiscal e à Lavagem de Dinheiro (GAESF/MPRJ), que investiga um prejuízo superior a R$ 912 milhões ao Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro (Rioprevidência). Os réus da ação incluem o ex-governador e atual prefeito de Piraí, Luiz Fernando Pezão, o ex-diretor-presidente do Rioprevidência Gustavo Barbosa (hoje chefe da Assessoria Especial do vice-governador de Minas Gerais), além da própria BB Securities LLC.

De acordo com o MPRJ, o prejuízo está vinculado à chamada “Operação Delaware”, uma manobra financeira estruturada entre 2014 e 2015 que envolveu a securitização de receitas futuras de royalties do petróleo. A operação, segundo o inquérito civil, foi redesenhada de forma lesiva ao interesse público, com a anuência e participação da BB Securities, que assessorou tecnicamente a renegociação contratual. O MP afirma que a estrutura foi feita à revelia das normas da Lei de Responsabilidade Fiscal, comprometendo gravemente a solidez dos ativos do fundo de previdência estadual.

O BB Securities, por sua vez, apresentou recurso alegando ilegitimidade passiva — ou seja, defendeu que não deveria ser incluído no polo da ação — e apontou suposto excesso na penhora determinada. A defesa também argumentou que a empresa não possui autonomia operacional frente ao Banco do Brasil e que não teria responsabilidade direta pelas decisões tomadas pelo Estado do Rio de Janeiro.

Contudo, o MPRJ rebateu as alegações, enfatizando os “fartos elementos de convicção” colhidos no inquérito civil, os quais evidenciam que a instituição teve papel determinante na indução dos termos considerados antieconômicos. “A atuação do BB Securities foi decisiva para a formalização de cláusulas altamente prejudiciais ao erário, o que justifica a responsabilização solidária pelos danos causados”, destacou o parecer.

A relatora da ação rejeitou os argumentos da instituição financeira e classificou como infundadas as alegações de ilegalidade ou desproporcionalidade. A desembargadora Maria Augusta afirmou que a decisão agravada não é “teratológica, ilegal ou mesmo contrária às provas dos autos, devendo permanecer tal como foi lançada”.

A manutenção da penhora representa mais um capítulo da ampla investigação sobre a crise fiscal fluminense, marcada por graves denúncias de má gestão, corrupção e endividamento do Estado por meio de operações financeiras estruturadas sem lastro técnico suficiente. O caso segue em tramitação e pode resultar na condenação dos réus por improbidade administrativa, com possível obrigação de ressarcimento integral dos prejuízos aos cofres públicos.

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading