A Justiça Eleitoral do estado de Goiás determinou nesta quinta-feira (24) que o governador Ronaldo Caiado (União Brasil) interrompa a distribuição de cestas básicas em atos políticos realizados antes do segundo turno das eleições. A decisão atende a um pedido da coligação do candidato a prefeito da capital Fred Rodrigues (PL), apoiado por Bolsonaro. Em Goiânia, Caiado apoia Sandro Mabel (União), em disputa apertada, segundo pesquisas de intenção de voto.
Na ação movida pela campanha de Fred, os advogados alegam que o governador estaria utilizando estrutura administrativa do estado para angariar apoio a Mabel. A coligação de Fred alega que o governador teria se utilizado do evento ‘Goiás Social’, em que houve distribuição de cestas básicas, para fazer campanha.
“Nos referidos eventos, teria havido a distribuição de cestas básicas, com a presença de cabos eleitorais do candidato Sandro Mabel com utilização de bandeiras e distribuição de ‘santinhos’ com abordagem direta aos cidadãos que saíam do evento com seu benefício recebido”, diz trecho da decisão judicial.
Os eventos teriam ocorrido em diferentes bairros de Goiânia, entre os dias 17 e 20 de outubro. Por esse motivo, a coligação de Fred solicitou que a justiça determine que Caiado e a chapa da oposição se “abstenham de realizar atos políticos partidários praticando conduta vedada, em específico a entrega de benefícios eventuais com pedido de voto cumulada com a entrega de material de campanha”.
A solicitação foi considerada procedente pela juíza eleitoral Maria Umbelina Zorzetti, da 1ª Zona Eleitoral de Goiânia. Na decisão, a magistrada diz que “há elementos que evidenciam a probabilidade” de “dano irreparável ao processo eleitoral”.
Caso a prática de compra de votos com uso da máquina seja comprovada e Mabel seja eleito, a Justiça Eleitoral poderá cassar o diploma de político do candidato da União Brasil.
Por meio de nota, o governo de Goiás informou que “recebeu com surpresa e estranhamento” a decisão liminar da juíza Maria Umbelina Zorzetti. “O Goiás Social é programa de perfil continuado, realizado em todo o Estado há mais de quatro anos. Os eventos, com entrega de benefícios à população em vulnerabilidade, sempre foram abertos ao público”, diz o comunicado, que acrescenta:
“Prova disso é que cabos eleitorais ligados ao candidato do PL atuaram nas proximidades deles, como admite a própria decisão. Contudo, para evitar qualquer tipo de interpretação dúbia, o governador Ronaldo Caiado já havia se antecipado e determinado a suspensão do programa desde a última segunda-feira (21/10), com retorno previsto para a próxima semana”.
A ação tem como pano de fundo a disputa acirrada entre Mabel, apoiado por Caiado, e Fred Rodrigues, que tem como principal cabo eleitoral o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Desde que foi atacado por Bolsonaro no primeiro turno, Caiado foi obrigado a modular as estratégias de campanha de Mabel.
Além de ir para as ruas e pedir votos, o governador passou a trabalhar para aproximar seu aliado de lideranças religiosas e se dispôs a cativar o eleitorado petista, que apostou em Adriana Accorsi (PT).
Na semana passada, por exemplo, o governador levou Mabel para uma reunião com o arcebispo da Igreja Católica em Goiânia, Dom João Justino. Em seus discursos, sem citar qualquer coligação com o PT, Caiado reforça a importância da união de forças contra a suposta inexperiência de Rodrigues, ressaltando a “capacidade de gestão” do seu candidato.
Com informações de O Globo.





