Justiça determina novo bloqueio de bens de Waguinho por suspeita de desvio de dinheiro público em Belford Roxo

Nova decisão mandou bloquear até R$ 402.500,00 em bens do ex-prefeito e de seu sobrinho Matheus Carneiro

O ex-prefeito de Belford Roxo, Wagner dos Santos Carneiro, conhecido como Waguinho (Republicanos), sofreu um segundo bloqueio de bens por decisão da Justiça do Rio de Janeiro. A nova medida, tomada pela 1ª Vara Cível de Belford Roxo, determina a indisponibilidade de até R$ 402.500,00 em bens do ex-prefeito e de seu sobrinho Matheus Carneiro Barros, que foi candidato a prefeito nas eleições de 2024.

A decisão atende a um pedido feito pela atual gestão do município e pela Fundação de Desenvolvimento Social de Belford Roxo (FUNBEL). Segundo a ação, no final do mandato de Waguinho, entre os dias 2 e 3 de outubro de 2024 — em pleno período eleitoral —, foram feitas 28 transferências bancárias que somam o valor bloqueado. Os repasses saíram da conta da FUNBEL e teriam sido direcionados a pessoas sem qualquer vínculo com a fundação ou com a Prefeitura, muitas das quais seriam candidatas a cargos públicos ligadas politicamente ao grupo do ex-prefeito.

O juiz Eduardo Mendes Satte Alam Gonçalves entendeu que há indícios claros de uso irregular de dinheiro público, com possível desvio de finalidade. A Justiça apontou que os valores foram liberados sem respaldo legal, sem notas de empenho e sem qualquer procedimento administrativo, o que pode configurar desvio de recursos públicos e dano ao erário.

A liminar foi concedida de forma urgente para evitar que os investigados se desfaçam dos bens antes de um eventual julgamento. O juiz ressaltou que a medida tem como objetivo garantir que os cofres públicos sejam ressarcidos, caso as irregularidades sejam confirmadas ao fim do processo.

Essa não é a primeira vez que Waguinho tem o patrimônio bloqueado por suspeita de má gestão. Recentemente, o juiz Renzo Merici, da 3ª Vara Cível de Belford Roxo, também determinou a indisponibilidade de bens do ex-prefeito em outro caso. Nesse processo, a suspeita envolve um desvio de quase R$ 15 milhões de reais.

De acordo com as investigações, em dezembro de 2024, no final de sua gestão, Waguinho transferiu o montante do caixa da Prefeitura para o Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Belford Roxo (Previde), alegando estar antecipando parcelas de um acordo de regularização previdenciária. No entanto, os valores acabaram sendo desviados, segundo a atual gestão, para cerca de 600 pessoas que não tinham qualquer vínculo com o instituto — ou seja, não eram servidores, aposentados ou pensionistas do município.

As duas decisões da Justiça apontam para um possível padrão de desvio de dinheiro público na reta final da administração anterior. A atual gestão, que assumiu a Prefeitura em janeiro de 2025, afirma ter herdado um cenário de calamidade financeira, com dívidas estimadas em R$ 1,5 bilhão, desaparecimento de mais de 5 mil processos administrativos e total ausência de transição de governo.

Agora, com o segundo bloqueio de bens determinado pela Justiça, o ex-prefeito Waguinho passa a enfrentar uma nova frente judicial por suspeitas de improbidade administrativa. Ele ainda não se manifestou publicamente sobre as decisões.

A investigação segue em andamento, e a Justiça ainda vai julgar o mérito das ações. Por enquanto, as medidas visam apenas preservar os recursos públicos até que as denúncias sejam apuradas de forma definitiva.

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