A juíza Juliane Velloso Stankevecz, da 17ª Vara Cível de Curitiba, condenou o jornalista Glenn Greenwald a pagar R$ 200 mil ao senador Sergio Moro (União Brasil-PR) por danos morais. A decisão, divulgada nesta terça-feira (3), afirma que Greenwald ofendeu a honra do ex-juiz ao chamá-lo de “corrupto” em sete postagens no X (antigo Twitter) e em um vídeo publicado no YouTube. A informação é do Diário do Centro do Mundo (DCM).
Segundo a sentença, as acusações foram feitas “sem qualquer indício de prova” e ultrapassaram os limites da liberdade de expressão, configurando “ofensa à honra e à imagem” de Moro. A magistrada também determinou que as publicações sejam retiradas do ar em até 48 horas após o trânsito em julgado da decisão, sob pena de multa.
Greenwald, cofundador do site The Intercept Brasil, teve papel central na divulgação da série de reportagens da “Vaza Jato”, em 2019, que expôs diálogos entre Moro e procuradores da força-tarefa da Lava Jato. No entanto, a juíza ressaltou que, embora Moro tenha sido considerado parcial pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do habeas corpus do ex-presidente Lula, isso não configura, por si só, prática de corrupção.
“Em nenhum momento o autor [Moro] foi apontado como corrupto, não podendo ser confundido o reconhecimento da suspeição ou da falta de imparcialidade com o cometimento de crime”, escreveu Stankevecz.
A juíza também criticou a postura de Glenn Greenwald durante o processo, mencionando que o jornalista chegou a classificar como “hilária” uma decisão preliminar da Justiça. Para ela, esse comportamento reforçou o “claro intuito acusatório” das publicações e a ausência de embasamento jurídico para as acusações.
Na decisão, a magistrada ponderou a projeção pública e a capacidade financeira de ambos os envolvidos para fixar a indenização em R$ 200 mil, citando jurisprudência de casos semelhantes. Embora o julgamento ainda esteja em primeira instância e caiba recurso, a sentença reforça os limites legais entre opinião crítica e imputação de crime sem provas.





