O Tribunal de Justiça (TJRJ) adiou o julgamento dos policiais militares acusados de envolvimento na morte do adolescente Thiago Menezes Flausino, de 13 anos, baleado durante uma operação da PM na Cidade de Deus, na Zona Oeste do Rio. A decisão, tomada nesta terça-feira (27), pela juíza Elizabeth Machado Louro, da 2ª Vara Criminal da Capital, suspendeu o júri poucas horas antes do início da sessão. O julgamento foi remarcado para o dia 10 de fevereiro, às 9h.
As defesas dos acusados – os policiais Diego Pereira Leal e Aslan Wagner Ribeiro de Faria, ambos do Batalhão de Choque – pediram o indeferimento de uma das provas do processo, um link, juntada pelo assistente de acusação, alegando que não tiveram acesso. Na decisão, a juíza destacou que, no Tribunal do Júri, prevalece o princípio da plenitude de defesa, que exige não apenas acesso formal, mas efetivo a todas as provas.
Segundo ela, a ausência de acesso completo inviabilizaria o contraditório durante o julgamento. A magistrada ressaltou, porém, que não houve indeferimento da prova e registrou que, nesta terça-feira (27), as defesas passaram a ter acesso amplo ao material questionado.
Priscila Menezes, mãe de Thiago, passou mal após o adiantamento do júri e precisou de atendimento médico.
Adolescente foi baleado durante operação policial
Thiago Flausino foi morto em agosto de 2023, durante uma operação da Polícia Militar na Cidade de Deus. De acordo com as investigações, o adolescente foi atingido por três disparos. A acusação sustenta que ele não estava armado e que não havia confronto no momento em que foi baleado.
Os dois policiais réus admitiram os disparos e respondem por homicídio e fraude processual. Segundo o Ministério Público, após o crime, os agentes teriam manipulado a cena e plantado uma arma para sustentar a versão de troca de tiros.
Inicialmente, quatro policiais foram denunciados pelo caso. No entanto, dois deles foram posteriormente soltos, após a Justiça entender que não tiveram participação direta no homicídio.
Caso mobiliza familiares e entidades de direitos humanos
Antes da sessão que acabou adiada, familiares, amigos e organizações da sociedade civil organizaram um ato público para denunciar o caso e a violência policial nas favelas cariocas. A manifestação contou com o apoio da Anistia Internacional.
Em declarações anteriores, a mãe do adolescente, Priscila Menezes, cobrou responsabilização. “Eu não vou ter mais meu filho, mas eu quero Justiça por ele e por outras crianças”, afirmou. Segundo ela, Thiago sonhava em ser jogador de futebol e não representava ameaça no momento em que foi morto.






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