Júri popular em Paraty absolve pai e filho acusados de matar artista francês

Decisão inocenta acusados pela morte do francês Cédric Alexandre Vacherie Jaurgoyhen, assassinado em 2018 na Costa Verde do Rio

O Tribunal do Júri de Paraty, na Costa Verde do Rio de Janeiro, absolveu pai e filho acusados de matar o artista plástico francês Cédric Alexandre Vacherie Jaurgoyhen, assassinado em 2018. A decisão foi tomada na última quarta-feira (25), após julgamento que se estendeu por cerca de 13 horas, informa O Globo.

Os jurados entenderam que não havia provas suficientes para condenar Ricardo dos Santos e seu pai, Cecílio dos Santos, apontados durante as investigações como responsáveis pelo crime. Com a absolvição, ambos foram inocentados das acusações de homicídio e coação de testemunha.

Crime brutal e investigação

O caso remonta a julho de 2018, quando o artista foi encontrado morto em seu sítio, na região da Barra Grande, em Paraty. Segundo as investigações, Cédric foi atingido por um disparo de espingarda na cabeça, à queima-roupa, e teve o corpo incendiado após o assassinato.

De acordo com o Ministério Público, o crime teria sido motivado por conflitos envolvendo terras e uma suposta dívida relacionada a obras realizadas no local onde a vítima vivia, sendo classificado como de motivo fútil.

Prisões e desdobramentos

Ao longo das investigações, os dois acusados chegaram a ser presos. Ricardo dos Santos ficou detido preventivamente por um ano e três meses, após ser capturado em 2024, depois de um período foragido. Já Cecílio dos Santos permaneceu preso por 57 dias no início das apurações.

A investigação reuniu elementos como apreensão de arma e diligências realizadas em diferentes estados, mas, durante o julgamento, a defesa sustentou a existência de falhas no processo investigativo.

Defesa e contestação da acusação

Os advogados dos réus argumentaram que inconsistências nas investigações teriam permitido que o verdadeiro autor do crime permanecesse impune. Também rebateram questionamentos da acusação sobre suposta influência religiosa no julgamento.

“Não é verdade que o Conselho de Sentença foi formado por evangélicos. A acusação e a defesa tiveram acesso prévio à lista dos jurados e puderam recusar nomes, o que de fato ocorreu”, afirmou o advogado César Murat.

Reação da família da vítima

A advogada da família da vítima, Andrea Kirkovits, afirmou que a mãe do artista recebeu a decisão com tristeza profunda e sensação de injustiça.

“Fizemos tudo ao nosso alcance na busca por plena justiça a Cédric Alexandre Vacherie Jaurgoyhen, que teve sua vida tirada de maneira tão cruel. Apresentamos todas as provas existentes. Atuei com afinco e muita honra, mas ao final quem decide são os jurados”, declarou ao Globo.

Processo pode ter novos capítulos

Apesar da absolvição em primeira instância, o caso ainda pode ter novos desdobramentos. O Ministério Público pode recorrer da decisão do júri, o que pode levar o processo a instâncias superiores da Justiça.

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