‘Juiz não é Deus’: magistrado aposentado à força pelo TJ já deu ‘carteirada’ em blitz

João Carlos de Souza Correa se envolveu em vários episódios polêmicos e chegou a receber salário de R$ 74 mil

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) decidiu aposentar compulsoriamente o juiz João Carlos de Souza Correa, que respondia a um Processo Administrativo Disciplinar desde 2021. A decisão foi tomada pelo Órgão Especial da Corte, com base em uma série de condutas consideradas incompatíveis com a magistratura.

O caso mais grave atribuído ao juiz foi em 2014, quando ele foi acusado de furtar uma imagem sacra de um antiquário na cidade de Tiradentes, em Minas Gerais. A peça, avaliada em R$ 4 mil, sumiu da loja e só foi localizada graças às câmeras de segurança, que flagraram Correa deixando o estabelecimento com o objeto.

Mas esse não foi o único episódio polêmico envolvendo o juiz. Em 2021, ele também foi condenado administrativamente por se apropriar indevidamente de uma escultura de Dom Quixote que pertence ao Fórum de Búzios, onde trabalhou entre 2004 e 2012. A obra havia sido doada pelo artista plástico Carlos Sisternas Assumpção e, segundo os autos, foi levada pelo magistrado ao ser transferido para o Rio. Na ocasião, o TJRJ aplicou a ele uma pena de advertência.

Outro episódio que ganhou repercussão envolvendo o nome do magistrado ocorreu em 2011, durante uma blitz da Lei Seca no Leblon, Zona Sul do Rio. Na ocasião, o juiz foi parado dirigindo um Land Rover sem placa e sem portar a carteira de habilitação. A agente de trânsito Luciana Tamburini informou que o carro seria apreendido, o que levou Correa a dar voz de prisão a ela. A agente então teria dito que “juiz não é Deus”, o que deixou ele irritado.

Em 2014, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) instaurou um procedimento para apurar a conduta de Correa no episódio.

Magistrado tinha salário de R$ 74 mil

Lotado no 18º Juizado Especial Criminal de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, o magistrado teve remuneração bruta de R$ 74.131,38 em março de 2025, segundo dados abertos do TJRJ. Com os descontos, o valor líquido recebido naquele mês foi de R$ 37.408,08.

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