Jongo da Serrinha poderá ser reconhecido como patrimônio imaterial do Rio

Manifestação cultural de raízes africanas teve aprovação em primeira discussão e segue para consolidar proteção no estado

O Jongo da Serrinha, um dos símbolos mais tradicionais da cultura popular carioca, deu um passo importante para garantir sua preservação. A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro aprovou em primeira discussão, nesta quinta-feira (03), a proposta do deputado Dionísio Lins (PP) que reconhece a manifestação como patrimônio imaterial do estado.

A iniciativa tem como objetivo assegurar proteção e valorização de um dos mais importantes legados de matriz africana, marcado pela música, dança e tradição oral transmitida de geração em geração. A manifestação, que nasce da resistência negra, é mantida viva ainda hoje no morro da Serrinha, em Madureira.

Origem e preservação

O grupo Jongo da Serrinha foi criado há cerca de 40 anos por Mestre Darcy do Jongo e sua mãe, a lendária Vovó Maria Joana Rezadeira. A dupla buscou resgatar a prática que já dava sinais de desaparecimento na cidade do Rio de Janeiro, levando a dança de roda dos quintais para os palcos.

A estratégia abriu espaço para crianças e jovens participarem de uma roda antes restrita aos mais velhos, garantindo a continuidade da tradição.

Raízes africanas

O jongo é um ritmo originário da região do Congo-Angola, trazido ao Brasil pelos negros escravizados que trabalharam nas lavouras de café em estados como Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. No morro da Serrinha, em Madureira, a manifestação ganhou força e se consolidou como referência nacional.

“É uma forma de reafirmar a importância desse patrimônio cultural, que não pertence apenas à Serrinha, mas à identidade do povo fluminense e brasileiro”, destacou Dionísio Lins.

Com a aprovação em primeira discussão, a proposta ainda precisa passar por nova votação no plenário antes de seguir para análise do governador Cláudio Castro.

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