O governo de Israel afirmou neste domingo (8) que não permitirá a aproximação de um barco com ativistas e ajuda humanitária destinado à Faixa de Gaza. A bordo da embarcação Madleen, está a ativista sueca Greta Thunberg, que viaja com outras 12 pessoas numa missão organizada pela Coalizão da Frota da Liberdade para denunciar o bloqueio marítimo imposto por Israel ao território palestino e entregar suprimentos essenciais à população local.
Em declaração oficial, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, classificou Thunberg como “antissemita” e acusou os integrantes da missão de atuarem como “propagandistas do Hamas”. “Para a antissemita Greta e seus colegas propagandistas do Hamas — direi claramente: ‘Vocês deveriam voltar, porque não conseguirão chegar a Gaza’”, afirmou Katz em nota.
O barco partiu da Sicília, na Itália, no último domingo e tinha a intenção de alcançar as águas territoriais de Gaza ainda neste fim de semana. A ação visa chamar atenção para a grave crise humanitária vivida por mais de dois milhões de palestinos desde o início da guerra entre Israel e o Hamas, em outubro de 2023.
Entre os ativistas a bordo também está Rima Hassan, deputada do Parlamento Europeu e de origem palestina. Ela já foi impedida de entrar em território israelense por sua postura crítica ao governo local.
Apesar de Israel ter flexibilizado parcialmente o bloqueio no mês passado — permitindo a entrada de quantidades limitadas de alimentos, combustível e medicamentos — organizações humanitárias continuam alertando para o risco iminente de fome generalizada em Gaza. Os apelos incluem o fim da ofensiva militar e a suspensão total do cerco, que afeta diretamente a população civil.
No mês passado, outra tentativa da Frota da Liberdade de romper o bloqueio terminou sem sucesso. O grupo relatou que um de seus navios foi atingido por dois drones em águas internacionais próximas a Malta, episódio pelo qual culpam Israel.
O bloqueio marítimo e terrestre imposto por Israel — com a colaboração do Egito — foi intensificado após o ataque do Hamas ao sul de Israel em 7 de outubro de 2023. O cerco, no entanto, vigora desde 2007, quando o grupo palestino tomou o controle da Faixa de Gaza. Críticos da medida a consideram uma forma de punição coletiva à população do território.
A ação de Greta Thunberg e dos demais ativistas reacende o debate sobre os limites da resistência civil em meio a conflitos armados e sobre o papel de figuras públicas no ativismo internacional.





