O governo de Israel anunciou neste domingo (11) que apoia integralmente o plano dos Estados Unidos para reestabelecer o fornecimento de ajuda humanitária à Faixa de Gaza, suspensa desde 2 de março. A declaração foi feita pelo ministro das Relações Exteriores israelense, Gideon Saar, durante coletiva de imprensa em Jerusalém.
— Israel endossa integralmente o plano do governo [Donald] Trump apresentado na sexta-feira pelo embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee — declarou Saar. — Durante esta guerra, Israel permitiu que ajuda humanitária entrasse em Gaza e a facilitou, mas o Hamas roubou essa ajuda da população.
O plano, apresentado por Huckabee a autoridades israelenses, prevê a criação de uma fundação independente responsável por centralizar a distribuição da ajuda em zonas específicas delimitadas pelo Exército de Israel. Os militares, segundo o diplomata americano, dariam suporte à segurança das operações, mas não participariam da entrega direta dos suprimentos.
— Os israelenses participarão da segurança militar necessária, já que esta é uma zona de guerra, mas não participarão da distribuição de alimentos, nem mesmo da entrega a Gaza — afirmou Huckabee, sem divulgar detalhes sobre a fundação ou o cronograma do plano.
A proposta, no entanto, tem sido alvo de críticas internacionais. Diversas ONGs e entidades humanitárias consideram que o modelo fere os princípios básicos da ajuda humanitária, especialmente ao exigir que civis se desloquem até zonas determinadas, o que pode agravar a vulnerabilidade da população em meio à guerra.
Apesar da polêmica, Huckabee pediu apoio da ONU, de ONGs e de governos internacionais, dizendo que “vários parceiros já concordaram em participar do esforço”, embora não tenha citado nomes.
Presente à coletiva, o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, manifestou apoio condicionado à proposta. Segundo ele, Berlim colaboraria se o plano representasse um “meio de garantir o fornecimento humanitário adequado”, mas alertou para a deterioração das condições em Gaza.
— Sabemos que o Hamas abusa da ajuda humanitária e a retém da população, então é compreensível que o governo israelense busque maneiras de impedir que o Hamas continue a fazê-lo — disse Wadephul.
Em contrapartida, o Hamas reagiu duramente. Para Basem Naim, dirigente do grupo, a proposta dos EUA representa uma tentativa de “militarizar a ajuda” e de “melhorar sua imagem na região” antes de uma visita diplomática do governo Trump ao Golfo.
Relatórios de organizações internacionais apontam que o bloqueio israelense já empurrou Gaza para o colapso. Hospitais relatam a morte de pacientes devido à escassez de comida, água e medicamentos. Há casos de pacientes renais com sessões de diálise reduzidas e pessoas com queimaduras graves que não recebem enxertos por desnutrição.
Reconhecimento da Palestina pode gerar retaliação, diz Israel
Na mesma coletiva, Gideon Saar aproveitou para criticar os recentes movimentos diplomáticos de países europeus em prol do reconhecimento unilateral de um Estado Palestino. O chanceler israelense alertou que a medida teria consequências graves.
— Houve conversas sobre uma iniciativa para reconhecer unilateralmente um Estado Palestino… qualquer tentativa de fazê-lo unilateralmente só prejudicará as perspectivas futuras de um processo bilateral e nos pressionará a tomar ações unilaterais em resposta — declarou.
Wadephul, por sua vez, reiterou a posição do governo alemão em favor da solução de dois Estados, mas defendeu que o processo ocorra por meios negociados e sem precipitações.
— Uma solução de dois Estados é a melhor chance para israelenses e palestinos viverem em paz, segurança e dignidade. Mas não deve ser prejudicada nem pelo avanço da construção ilegal de assentamentos, nem pelo reconhecimento prematuro de um Estado palestino — ponderou.





