Israel anunciou nesta quarta-feira (16) a entrada de 50 caminhões de ajuda humanitária no norte da Faixa de Gaza, um dia após os EUA ameaçarem suspender o fornecimento de armas para o aliado caso a crise humanitária não fosse revertida dentro de um mês. A ameaça americana previa o ingresso diário de 350 veículos com ajuda humanitária. As remessas de suprimentos para a região atingiram em setembro o seu nível mais baixo desde o início da guerra.
De acordo com as forças israelenses, os caminhões foram enviados pela Jordânia e incluem alimentos, água, suprimentos médicos e equipamentos para abrigos. Antes do alerta americano, Israel vinha restringindo fortemente a entrada de ajuda humanitária no enclave, com nenhum caminhão autorizado a ingressar ao longo de dias. Antes da guerra, 500 caminhões de ajuda humanitária entravam diariamente em Gaza, aponta a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA, na sigla em inglês).
Assinada pelo secretário de Estado dos EUA, Anthony Blinken, e pelo Secretário de Defesa e chefe do Pentágono, Lloyd Austin, a carta foi endereçada ao Ministro da Defesa israelenese, Yoav Gallant, e ao Ministro de Assuntos Estratégicos, Ron Dermer. No texto, eles culpam Israel por uma queda drástica na ajuda humanitária em Gaza, o que, afirmam, contribuiu para a fome e o sofrimento generalizado, principalmente no norte do enclave.
Na carta, as autoridades lembram que a lei americana exige que os países que recebem suas armas “facilitem e não neguem, restrinjam ou impeçam arbitrariamente” a assistência humanitária fornecida ou apoiada pelos EUA. Blinken e Austin pediram que Israel permita a entrada de um mínimo de 350 caminhões de ajuda em Gaza diariamente, aumente a segurança dos locais de ajuda e da movimentação de trabalhadores humanitários e acabe com o isolamento do norte de Gaza, entre outras medidas, dentro dos próximos 30 dias.
O Hamas acusou Israel de promover de forma deliberada uma política de fome e morte no norte de Gaza, onde as forças israelenses lançaram uma nova operação terrestre há quase duas semanas.
“O que está acontecendo no norte é o extermínio e a limpeza étnica em todos os sentidos, bem como a destruição de todos os edifícios remanescentes que ainda não foram danificados ou bombardeados na guerra, além da destruição sistemática de toda a infraestrutura”, disse o grupo terrorista em comunicado. “Isso significa a implementação de um plano de expulsão em massa”.
A carta, que foi noticiada nesta terça-feira pelo Canal 12 de Israel e pelo site Axios, é um dos avisos mais severos e específicos já feitos pelos EUA às autoridades israelenses sobre a situação em Gaza.
É também uma admissão implícita de que os EUA avaliam que as ações de Israel no território palestino violam a lei americana, segundo analistas e ex-funcionários. Washington é o principal fornecedor de armas de Israel, e seu apoio é crucial para os planos de guerra do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu em Gaza e no Líbano, bem como em sua rivalidade mais ampla contra o Irã.
Embora um aviso anterior a Israel em abril tenha resultado em um aumento na ajuda, a quantidade de assistência que chega a Gaza caiu em mais de 50% ao longo dos meses desde então, de acordo com a carta. As entregas de setembro foram as mais baixas de todos os meses do ano passado, segundo o documento.
Com informações de O Globo.





