Os investigados nos inquéritos nos quais o tenente-coronela Mauro Cid atua como delator estão se preparando para utilizar os áudios do ex-ajudante de ordens da Presidência da República como meio para questionar a autenticidade e a credibilidade de seus depoimentos à Polícia Federal.
Segundo Bela Megale, em O Globo, três advogados que representam alvos das investigações relacionadas à tentativa de golpe informaram que pretendem incorporar as gravações em suas estratégias de defesa, independentemente de a delação premiada de Cid ser revogada.
Para membros da Polícia Federal, o vazamento dessas gravações representa uma tentativa de invalidar as provas coletadas nas investigações envolvendo tentativas de golpe, esquemas de joias e falsificação de cartões de vacina, os quais também envolvem o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), membros de seu governo e militares.
No entanto, os investigadores argumentam que existem evidências além dos relatos de Cid que fundamentam os relatórios da PF em todos os casos. Mesmo que o acordo de delação seja revogado, o material fornecido pelo ex-ajudante de ordens continua válido, assim como as provas obtidas a partir de sua colaboração.
Nos áudios divulgados pela revista “Veja” nesta quinta-feira (21), o ex-ajudante de ordens afirma ter sido pressionado a relatar fatos em sua delação premiada que, segundo ele próprio, “não teriam acontecido” ou dos quais “não teria conhecimento”. Além disso, ele acusa a PF de ter “a narrativa pronta e não querer saber a verdade”.
Mauro Cid também lançou críticas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, declarando que “ele prende, ele solta, quando ele quiser, como ele quiser. Com Ministério Público, sem Ministério Público, com acusação, sem acusação”.
Nesta tarde, está agendada uma audiência do tenente-coronel com um juiz do gabinete de Moraes, e a partir dessa reunião será tomada a decisão sobre a manutenção ou não de seu acordo de delação. A revogação do acordo pode resultar na sua volta à prisão.
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