Investigações do Ministério Público do Rio levam a coronel da PM chamado de ‘pai’ por milicianos da Zona Oeste

Operação foi realizada para cumprir 37 mandados de busca e apreensão em endereços ligados a 17 policiais militares suspeitos de envolvimento com a milícia

Investigações sobre a milícia conhecida como Bateau Mouche, que atua em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, revelaram que os criminosos se referiam ao coronel da Polícia Militar, Marcelo Moreira Malheiros, como “pai” e que ele teria recebido presentes da milícia.

Malheiros foi um dos principais alvos da operação realizada pelo Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Rio, nesta quinta-feira (26).

Durante as apurações, foi descoberto que um dos milicianos solicitou dinheiro a outro integrante do grupo para comprar um presente para o coronel.

“Irmão, aniversário do meu pai, você pode ajudar com uma meta (dinheiro) para eu dar um presente pra ele?”.

Segundo as investigações, o oficial chegou a pedir aos milicianos para dispararem mensagens elogiando o seu trabalho como forma de “obter apoio político de criminosos” na Zona Oeste.

“Dispara essa” pede o coronel ao criminoso, se referindo a uma foto dele mesmo. Com a imagem, vinha a frase: “Essa semana será decisiva para a PMERJ”.

O coronel foi um dos quatro nomes levados ao governador Cláudio Castro para assumir a Secretaria de Polícia Militar, mas acabou não sendo escolhido para o cargo.

Procurado, o coronel Malheiros negou as denúncias, afirmou que ficou surpreso com a operação e disse que nada foi encontrado durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão.

Em 33 anos de Polícia Militar, ele comandou companhias de policiamento de área na capital e na Baixada Fluminense. Em abril, foi exonerado da função.

A operação foi realizada para cumprir 37 mandados de busca e apreensão em endereços ligados a 17 policiais militares suspeitos de envolvimento com a milícia.

Durante a ação, um subtenente foi preso em flagrante com duas pistolas com numeração raspada e munição. Na casa de um cabo do 41° BPM (Rocha Miranda) foram apreendidos R$ 67 mil e anotações quem indicam que eles pagavam propinas.

Segundo a promotora Tatiana Kaziris, os suspeitos foram denunciados por associação criminosa, corrupção e violação de sigilo funcional.

“Além disso, foi requerido ao juízo a suspensão dos cargos dos 17 denunciados, bem como a suspensão do porte de arma de fogo funcional e pessoal”, destacou a promotora.

Em abril, a Polícia Militar suspendeu a posse de Malheiros para o comandante do 5º Comando de Policiamento de Área (CPA), que atua na região Sul Fluminense e na Costa Verde do estado. Na época, Malheiros havia sido citado na Operação Naufrágio, que resultou na prisão do miliciano Cláudio Rodrigo, o “Ceta”.

A ação desta quinta-feira é a segunda fase da Operação Naufrágio e contou com o apoio da Corregedoria-Geral da Polícia Militar e da Subsecretaria de Inteligência (Ssinte) da Polícia Civil.

Os mandados foram cumpridos nos endereços dos denunciados e em batalhões em que os PMs estão lotados atualmente:

  • Departamento Geral do Pessoal (Centro);
  • Batalhão de Rondas Especiais e Controle de Multidão (Centro);
  • 41° BPM (Colégio);
  • 40º BPM (Campo Grande);
  • 9º BPM 2ª CIA (Honório Gurgel);
  • 5º BPM (Gamboa);
  • 18º BPM (Freguesia);
  • 15º BPM (Duque de Caxias);
  • 18º BPM (Freguesia);
  • 20º BPM (Mesquita);
  • BPChoque (Centro);
  • Diretoria de Licitações e Projetos (Centro).

Em nota, a PM informou que a Corregedoria Geral do órgão está apoiando e colaborando com a operação. A instituição disse ainda que não compactua com desvios de conduta cometidos pelos seus entes e que os pune quando identificados e constatados os fatos, podendo resultar na exclusão do policial nos quadros da corporação.

Com informações do g1.

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