Durante a cerimônia de abertura da 10ª reunião anual do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), conhecido como Banco do Brics, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez duras críticas à Organização das Nações Unidas (ONU), questionando sua relevância e capacidade de agir frente aos conflitos mundiais. O evento ocorreu nesta sexta-feira (4), no Rio, e contou também com a presença da presidente do NDB, Dilma Rousseff, e do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
O presidente afirmou que o sistema multilateral atravessa uma crise profunda de legitimidade e eficácia. “Há muito tempo eu não via o mundo tão carente de lideranças políticas como agora. Há muito tempo, não via nossa ONU tão insignificante como ela está hoje”, declarou, ao criticar a ausência de respostas efetivas da organização diante das tragédias humanitárias em curso.
Lula ainda acusou a ONU de inoperância diante do impasse histórico no Oriente Médio. “Uma ONU que criou o Estado de Israel e não tem capacidade de criar o Estado Palestino. Não é capaz de fazer um acordo de paz para que o genocídio do exército israelense continue matando mulheres e crianças inocentes em Gaza”, afirmou o presidente, em um tom contundente.
Antes do discurso de Lula, Dilma Rousseff também fez críticas ao atual cenário internacional, denunciando o uso de tarifas, sanções e bloqueios financeiros como instrumentos de subordinação política. Para ela, essas práticas afetam o desenvolvimento soberano de nações emergentes, como as que integram o Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).
A defesa por uma reforma nos organismos internacionais de governança, como a própria ONU, é uma das prioridades da presidência brasileira do Brics em 2025. O tema deve ser incluído na declaração final da cúpula do grupo, marcada para os dias 6 e 7 de julho no Rio de Janeiro.
A fala de Lula reforça a insatisfação do Brasil com a estrutura atual de poder global, em que os países em desenvolvimento, segundo o governo, têm pouca influência nos processos de decisão multilaterais. O presidente tem defendido uma ordem internacional mais equilibrada, com maior protagonismo das economias do Sul Global.
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