Imperatriz Leopoldinense escolhe samba para o Carnaval 2027

Parceria de Me Leva, Thiago Mainárs, Gabriel Coelho, Herval Neto, Bernardo Nobre e Guilherme Macedo venceu a disputa na quadra da escola, em Ramos

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A Imperatriz Leopoldinense já tem o samba-enredo que vai embalar sua busca pelo décimo título do Carnaval do Rio. A escola escolheu, na madrugada deste sábado (19), a obra que será apresentada na Marquês de Sapucaí em 2027, durante uma grande festa na quadra da agremiação, em Ramos, na Zona Norte do Rio.

A composição vencedora é assinada por Me Leva, Thiago Mainárs, Gabriel Coelho, Herval Neto, Bernardo Nobre e Guilherme Macedo. O samba vai acompanhar o enredo “A Memória do Rei e o Sumiço de Dona Júlia”, desenvolvido pelo carnavalesco Leandro Vieira.

A disputa começou com 27 composições inscritas e chegou à final com três sambas. Antes do anúncio do resultado, a Imperatriz preparou um espetáculo com a participação da bateria, passistas, baianas e dos casais de mestre-sala e porta-bandeira.

Enredo leva maracatu para a Sapucaí

O desfile de 2027 vai mergulhar no universo do maracatu, manifestação cultural tradicional de Pernambuco. A narrativa apresentada pela escola reúne elementos de memória, religiosidade, ancestralidade e tradição ligados à manifestação.

Leandro Vieira destacou a relação entre a escola e sua comunidade durante a festa de escolha do samba.

“A Imperatriz está vivendo um momento de lua de mel com a comunidade. É uma escola abraçada, que coloca ingressos à venda e rapidamente esgota. Hoje, praticamente 100% do público presente é formado por integrantes da comunidade que vieram curtir essa festa. E uma escola abraçada costuma ser uma escola feliz”, afirmou o carnavalesco.

A proposta do enredo também conta com referências às tradições religiosas e culturais presentes na formação do maracatu.

Mestre Chacon, da Nação do Maracatu Porto Rico, ressaltou a importância de conhecer as raízes dessa manifestação.

“Estamos trazendo todo um universo sagrado e suas bases. É preciso compreender o legado, a história, a tradição e a semente plantada no terreiro desde a formação até o brinquedo”, afirmou.

Imperatriz será a última a desfilar na segunda-feira

Em 2027, a Imperatriz Leopoldinense vai encerrar os desfiles da segunda-feira de Carnaval, 8 de fevereiro, sendo a quarta escola a entrar na Sapucaí naquela noite.

A posição foi comemorada pela presidente da agremiação, Cátia Drumond, que também destacou o perfil do samba escolhido.

“O samba é guerreiro, para cima. Essa é a característica que a Imperatriz vem trazendo desde 2023. É nesse caminho que a gente está e é nesse caminho que a gente vai continuar”, afirmou.

Sobre a ordem de desfile, a presidente avaliou que a escola ficou em uma posição considerada positiva pela agremiação.

“A análise é a melhor possível. A gente caiu numa posição e no dia que a gente queria, acho que não podia ser melhor. A Imperatriz tem chances verdadeiras de trazer o título para Ramos”, disse Cátia.

Nove vezes campeã do Carnaval carioca, a Imperatriz Leopoldinense agora começa uma nova etapa de preparação para o desfile que marcará a tentativa de conquistar o décimo campeonato de sua história.

Samba-enredo da Imperatriz Leopoldinense para 2027

Enredo: A Memória do Rei e o Sumiço de Dona Júlia
Autores: Me Leva, Thiago Mainárs, Gabriel Coelho, Herval Neto, Bernardo Nobre e Guilherme Macedo

É baque virado do congo, cortejo de coroação
Essa loa traz mistérios de uma história feita à mão

Desde o tempo que ouro é marfim
A nobreza nasceu em mim
E desfila o seu esplendor
Lá no Recife quando a corte invade a rua
Abre caminho para falar de Dona Júlia
Dona Santa subiu pro orun, a calunga incorporou
Tem mistério a mandinga que seu filho assentou

Ô babá… na imbuia, o egun da rainha
Epa babá…. Na madeira, o ori de Oxalá

Ao partir seu pai de santo foi guardada em desencanto
Onde a vida vira conto, quem sumiu, se fez achar
Nas tradições do xambá, retorna seu ilê
E o ritual vai novamente começar

É galinha d’angola, farinha, é sangue no couro
Sassanha pra folha de boldo
Copo d’água, fumaça e acaçá
Foram três dias de resguardo no roncó
Feitiço que corta nó pra boneca reencantar

Dama do paço levou pro baque das ondas
Partiu do Pina um cortejo a desfilar
E num silêncio que tudo dizia
Os tambores cantariam por quem foi, mas vai voltar

Meia-noite, meia-noite… Eu vi a terra tremer
Senhora dá passagem pro povo do orun descer
(Senhora dá passagem pro povo descer pro ayê)

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