A Arquidiocese de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, anunciou a criação de uma comissão para investigar o suposto fenômeno de uma imagem de Nossa Senhora de Fátima que, segundo devotos, expele mel, azeite e vinho. Popularmente conhecida como Nossa Senhora do Mel, a imagem pertence a uma fiel da cidade de Mirassol e tem atraído a atenção de centenas de fiéis desde os anos 1990.
A comissão foi instituída por decreto do arcebispo Dom Antonio Emídio Vilar, e é composta por um teólogo, um canonista, um perito, um notário e um delegado. Todos os membros atuam sob juramento de fidelidade à Igreja e compromisso de sigilo, conforme as diretrizes estabelecidas pelo Dicastério para a Doutrina da Fé, atualizadas em maio de 2024.
“A comissão testemunha a lisura e a seriedade dos procedimentos requeridos pela Santa Sé”, afirmou o arcebispo. “É uma atividade necessária destinada a responder a tantos que nos procuram em busca de informações acerca desses fenômenos”.
história de devoção e peregrinação
A imagem foi presenteada à fiel Lilian Aparecida Montemor em 1991, após ser comprada em Fátima, Portugal. Dois anos depois, uma funcionária da casa relatou ter visto a estátua molhada, supostamente vertendo lágrimas que se transformaram em sal. Com o tempo, os relatos passaram a mencionar a emissão de mel, vinho e azeite, sendo o mel o fenômeno mais frequente — o que levou à criação do título devocional “Nossa Senhora do Mel”.
A repercussão fez com que a imagem passasse a peregrinar por paróquias, hospitais e residências. Em agosto de 2024, a cantora Elba Ramalho esteve na Igreja de Santa Rita de Cássia, em Mirassol, para rezar diante da imagem. Ela revelou que a santa já havia sido levada à sua casa no Rio de Janeiro, onde, segundo ela, também teria vertido lágrimas.
A escultura precisou ser restaurada ao menos duas vezes devido ao desgaste provocado pelas constantes visitas e deslocamentos. A comissão pretende coletar amostras dos líquidos e submeter a imagem a exames técnicos e depoimentos de testemunhas, mas ainda não há prazo para a conclusão do inquérito.
Ciência também investigou, sem respostas conclusivas
Em 2021, pesquisadores de universidades paulistas analisaram a estátua em busca de explicações naturais para os fenômenos. A investigação revelou que a imagem é oca, mas não foram encontradas evidências de mecanismos ou substâncias internas que justificassem a liberação dos líquidos. O caso, até o momento, permanece sem explicação científica.
A Arquidiocese pede que os fiéis acompanhem o processo com “oração, confiança e serenidade”, evitando julgamentos apressados ou a disseminação de informações que não estejam de acordo com os ensinamentos da Igreja Católica. Enquanto a investigação segue, as manifestações de fé e as peregrinações continuam permitidas.
A imagem representa Nossa Senhora de Fátima, cuja devoção se originou das aparições marianas a três crianças em Portugal, entre maio e outubro de 1917. A celebração oficial da santa ocorre em 13 de maio.






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