O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), indicador conhecido popularmente como “inflação do aluguel”, desacelerou em maio após registrar forte alta no mês anterior. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (28) pela Fundação Getulio Vargas (FGV).
Segundo o levantamento, o índice avançou 0,84% neste mês, abaixo da taxa de 2,73% registrada em abril. O resultado veio praticamente em linha com as expectativas do mercado financeiro, cuja média das projeções apontava para alta de 0,86%.
Apesar da desaceleração mensal, o indicador ainda acumula avanço de 3,79% em 2026. No acumulado dos últimos 12 meses, o IGP-M registra alta de 1,95%.
O comportamento do índice em maio foi influenciado principalmente pela redução das pressões sobre os preços ao produtor e pelo alívio em itens ligados a combustíveis e alimentos.
Segundo a FGV, a estabilidade relativa do petróleo no mercado internacional teve papel importante nesse movimento.
“A menor intensidade do IGP-M em maio foi influenciada pela relativa estabilidade dos preços do petróleo no mercado internacional, que não provocou choques adicionais relevantes nas cadeias produtivas”, afirma Matheus Dias, economista do FGV Ibre.
Queda na pressão sobre produtores ajudou desaceleração
O economista explica que a desaceleração do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), principal componente do IGP-M, foi determinante para o resultado de maio.
“Esse movimento ajudou a reduzir a pressão sobre os preços ao produtor: o IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo) subiu 0,91%, bem abaixo da alta de 3,48% registrada em abril. Parte dessa desaceleração veio do grupo de matérias-primas brutas, tanto minerais quanto agropecuárias.”
Segundo a análise da FGV, houve redução da pressão sobre diversos insumos básicos da economia, especialmente no setor agropecuário e em matérias-primas minerais, o que contribuiu para frear o avanço do índice geral.
A desaceleração ocorre após meses de preocupação do mercado com possíveis impactos da volatilidade internacional sobre combustíveis, logística e cadeias produtivas.
Combustíveis e alimentos ajudaram a conter inflação
Além do alívio no atacado, os preços ao consumidor também mostraram comportamento mais moderado em maio.
De acordo com Matheus Dias, a queda nos combustíveis e em alguns alimentos contribuiu diretamente para reduzir o ritmo de alta do índice.
“No âmbito dos preços ao consumidor, a alta mais moderada também refletiu a queda dos combustíveis e de alguns alimentos, com destaque para o café em pó, que recuou quase 3% no período.”
O recuo do café chamou atenção porque o produto vinha acumulando altas expressivas nos últimos meses, pressionado por fatores climáticos, oferta internacional e custos de produção.
Economistas avaliam que o comportamento mais moderado do IGP-M em maio pode ajudar a aliviar parte da pressão sobre contratos reajustados pelo índice nos próximos meses.
IGP-M influencia reajuste de aluguéis
O IGP-M é amplamente utilizado como referência para reajustes de contratos de aluguel residencial e comercial em todo o país, razão pela qual ficou conhecido como “inflação do aluguel”.
Além do setor imobiliário, o indicador também serve de base para reajustes em contratos de serviços, energia, educação e diferentes segmentos da economia.
Diferentemente do IPCA — índice oficial de inflação do país — o IGP-M possui composição mais ampla e considera não apenas preços ao consumidor, mas também custos de matérias-primas, produtos no atacado e insumos da construção civil.
Por isso, o índice costuma ser mais sensível às oscilações do dólar, das commodities e do mercado internacional.
O indicador é formado por três componentes principais: o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que mede preços no atacado; o Índice de Preços ao Consumidor (IPC); e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC).
Mercado acompanha impacto sobre juros e consumo
A desaceleração do IGP-M ocorre em um momento em que investidores e economistas acompanham com atenção os sinais da inflação brasileira e seus possíveis impactos sobre juros, crédito e atividade econômica.
Embora o índice tenha perdido força em maio, analistas seguem atentos ao comportamento das commodities, do petróleo e do câmbio nos próximos meses, fatores considerados decisivos para a trajetória dos preços no país.
O desempenho do IGP-M também é observado pelo mercado imobiliário, especialmente por proprietários e inquilinos que utilizam o indicador como base para renegociação de contratos.






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